Coronavírus não passa de mãe para filho no útero, avança estudo

Os investigadores analisaram nove gravidezes, sendo que todas resultaram em nados vivos, embora em duas delas tenha havido sofrimento fetal.

Coronavírus não passa de mãe para filho no útero, avança estudo

Coronavírus não passa de mãe para filho no útero, avança estudo

Os investigadores analisaram nove gravidezes, sendo que todas resultaram em nados vivos, embora em duas delas tenha havido sofrimento fetal.

Cientistas chineses publicaram esta quarta-feira um estudo na revista The Lancet no qual afirmam que não há para já evidência de que o novo coronavírus seja passado de mãe para filho através do útero na fase final da gravidez.

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Os investigadores analisaram nove gravidezes, sendo que todas resultaram em nados vivos, embora em duas delas tenha havido sofrimento fetal (diminuição de oxigenação para o feto, geralmente antes do parto). Em seis das gravidezes foram recolhidas amostras para análise do líquido amniótico, do cordão umbilical e amostras respiratórias de recém-nascidos. Todas as análises resultaram negativas para o novo coronavírus — Covid-19.

O estudo constatou ainda que os sintomas de infeção pelo novo coronavírus em gestantes são semelhantes aos relatados nos restantes adultos, sendo que nenhuma das mulheres estudadas desenvolveu pneumonia grave ou morreu.

Os autores da investigação publicada na revista científica The Lancet alertam contudo que o estudo é baseado num número ainda limitado de casos e durante um período curto de tempo, em que se incluíram apenas mulheres com gravidezes no final do tempo e que tiveram partos por cesariana.

Os efeitos nas grávidas no primeiro e segundo trimestre de gestação e as consequências para os recém-nascidos permanecem ainda incertos, desconhecendo-se também se o vírus pode ser transmitido entre mãe e filho durante um parto vaginal.

O estudo surge depois de notícias que davam conta de um recém-nascido, filho de uma mãe infetada com o Covid-19, que 36 horas depois do parto deu positivo para o novo coronavírus.

Isto levantou questões sobre se haveria transmissão uterina do vírus. Os investigadores envolvidos no estudo hoje publicado avisam que o caso concreto daquele recém-nascido tem muitos dados clínicos em falta, não se podendo afirmar de forma definitiva se a transmissão intrauterina é ou não possível.

Huixia Yang, um dos autores do estudo, avisa que é necessário continuar a estudar o vírus em mulheres grávidas, apesar de nenhuma das parturientes analisadas ter desenvolvido pneumonia grave no decurso da infeção pelo novo coronavírus.

Os investigadores confirmaram laboratorialmente a infeção nas nove grávidas e fizeram também um estudo dos seus sintomas. As mulheres incluídas no estudo tinham idades entre os 26 e os 40 anos e nenhuma tinha patologias prévia à gravidez.

As nove mulheres apresentaram sintomas típicos da infeção por Covid-19, sem desenvolverem doença grave. Receberam terapia de suporte com oxigénio e antibióticos (para infeções bacterianas potencialmente associadas) e seis delas receberam também antivirais.

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