Filho de Rosa Grilo bloqueou números de telefone da família materna

“O Renato ainda chegou a atender a alguns familiares, mas depois de saber quem eram bloqueou os números”, diz Rosa Grilo

Filho de Rosa Grilo bloqueou números de telefone da família materna

“O Renato ainda chegou a atender a alguns familiares, mas depois de saber quem eram bloqueou os números”, diz Rosa Grilo

Depois das cartas, Rosa Grilo telefonou ao programa Linha Aberta da SIC, desde a prisão de Tires. Após colocar em causa a investigação, a arguida no caso da morte de Luís Grilo falou sobre o filho e sobre o facto de este se ter afastado da família materna.

“O meu filho não cortou só comigo e com os meus pais, cortou com toda a minha família. Cortou contactos com todos, madrinha, tias-avós, primas, amigos, etc. A minha afilhada, que é também madrinha do Renato, costumava ligar ao filho da Belinha, mas ele deixou de lhe atende o telefone”, disse.

Desde julho que Renato não visita a mãe ou lhe atende as chamadas. Os pais da arguida alegam que o adolescente está a ser influenciado por Júlia Grilo, mas o advogado do adolescente nega.  “A decisão [ de não visitar Rosa Grilo ] é da inteira vontade do Renato. Ele não visita a mãe por razões que só a ele dizem respeito. A partir de Julho, Agosto. Mas esta decisão está reflectida no relatório social que está juntos aos autos no processo tutelar no tribunal de menores de Vila Franca de Xira,  onde o Renato, a certa altura, afirma que não gosta de imposições. E que tanto a visita à mãe como aos avós é quando lhe apetecer, com estes termos. O Renato não se sujeita e não se quer sujeitar a que sejam outros a impor lhe a decisão”, refere o advogado.

LEIA DEPOIS A explicação de Rosa Grilo para ter agredido o filho

Só que para além de não atender as chamadas, Renato ainda bloqueou os números para que não seja possível ligarem-lhe.

“O Renato ainda chegou a atender a alguns familiares, mas depois de saber quem eram bloqueou os números”, disse Rosa Grilo naquela chamada.

Julgamento de Rosa Grilo e António Joaquim prossegue em 18 de fevereiro

A leitura do acórdão esteve marcada para 10 de fevereiro, mas acabou por ser adiada nesse dia depois de o tribunal de júri (além de três juízes, foram escolhidos quatro cidadãos — jurados) ter procedido à “alteração não substancial” de factos constantes da acusação do Ministério Público (MP).

Contactada pela Lusa, fonte do Tribunal de Loures disse à Lusa que a nova sessão será para “continuação de audiência de julgamento”.

Na acusação, o MP atribui a António Joaquim, entretanto posto em liberdade, a autoria do disparo sobre Luís Grilo, na presença de Rosa Grilo, que se mantém em prisão preventiva, no momento em que o triatleta dormia no quarto de hóspedes na casa do casal, na localidade de Cachoeiras, Vila Franca de Xira (distrito de Lisboa).

O crime terá sido cometido para poderem assumir a relação amorosa e beneficiarem dos bens da vítima – 500.000 euros em indemnizações de vários seguros e outros montantes depositados em contas bancárias tituladas por Luís Grilo, além da habitação.

O despacho de acusação do MP, divulgado pela Lusa em 26 de março de 2019, conta que, em 15 de julho de 2018, os dois arguidos, de 43 anos, após trocarem 22 mensagens escritas em três minutos, “combinando os últimos detalhes relativo ao plano por ambos delineado para tirar a vida de Luís Grilo”, acordaram desligar os respetivos telemóveis.

Numa hora não apurada, mas entre essa noite e a manhã do dia seguinte, “em execução do plano comum que já haviam acordado há pelo menos sete semanas”, António Joaquim dirigiu-se à casa onde residiam Luís Grilo e Rosa Grilo, com uma arma de fogo municiada.

A acusação relata que o arguido entrou na residência “com o conhecimento” da arguida e que ambos se dirigiram ao quarto de hóspedes, localizado no primeiro andar, onde Luís Grilo dormia.

No dia após a morte do triatleta, António Joaquim começou a frequentar a casa de Rosa Grilo, “não obstante estarem em curso diligências tendentes à localização do paradeiro de Luís Grilo por familiares, amigos e autoridades policiais”, segundo a acusação.

O corpo foi encontrado com sinais de violência e em adiantado estado de decomposição mais de um mês após o desaparecimento, a cerca de 160 quilómetros da sua casa, na zona de Benavila, concelho de Avis, distrito de Portalegre.

Na acusação, o MP pede que seja aplicada a Rosa Grilo a pena acessória da declaração de indignidade sucessória (sem direito a herança) e a António Joaquim (oficial de justiça) a pena acessória de suspensão de exercício de funções públicas.

O MP, em representação do filho menor de Rosa Grilo e do triatleta, apresentou um pedido de indemnização civil de 100 mil euros contra os arguidos.

 

Texto: Marta Amorim com Lusa | FotoS: Impala e DR

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