Recorde a versão que a mulher do triatleta contou sobre a morte do marido

«Foi angustiante. Estávamos à procura e não encontrávamos nada. Continuo à espera que o Luís abra a porta», disse a mulher do triatleta quando o corpo do marido foi encontrado

Recorde a versão que a mulher do triatleta contou sobre a morte do marido

«Foi angustiante. Estávamos à procura e não encontrávamos nada. Continuo à espera que o Luís abra a porta», disse a mulher do triatleta quando o corpo do marido foi encontrado

Rosa Grilo, a mulher de Luís Grilo – o triatleta amador que estava desaparecido desde 16 de julho e que foi encontrado morto passado mais de um mês (38 dias) – foi detida esta quarta-feira, dia 26 de setembro, juntamente com o alegado cúmplice e amante sob suspeita da prática dos crimes de homicídio qualificado, profanação de cadáver e detenção de arma proibida.

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No início de setembro, quando o corpo do marido foi encontrado, a mulher de 43 anos, quebrou o silêncio e concordou em dar uma entrevista à TVI24, na qual recordou os dias que antecederam ao desaparecimento do triatleta e relembrou os últimos momentos que viveu com o marido. Para além da sua versão dos acontecimentos, Rosa negou ter tido qualquer envolvimento na morte do marido. «Não, de todo. Não tenho nada a ver com isso». Na altura,  a mulher do desportista já tinha sido ouvida pela Polícia Judiciária e após o interrogatório não foi constituída como arguida no caso.

Os últimos momentos antes do desaparecimento: «Continuo à espera que o Luís abra a porta»

«No domingo, levámos o nosso filho à avó e ele ficou lá como era habitual aos fins de semana», começou por contar a viúva em declarações à Estação de Carnaxide.

De acordo com a mulher, na segunda-feira (dia em que Luís desapareceu) o casal tinha decidido ficar em casa, nas Cachoeiras, em Vila Franca de Xira, pois Rosa estava indisposta por ter tomado um medicamento que fazia parte da preparação de um exame médico «invasivo» que iria realizar no dia seguinte, no Hospital de Vila Franca.

Nessa tarde, Rosa garantiu que o triatleta de 50 anos lhe tinha dito, por volta das 16h, que iria dar «uma voltinha, mas que pelas 18h estaria em casa». Rosa acrescentou que Luís «estava normal». Este foi o momento que Rosa identificou como sendo a última vez que viu o marido. Quinze minutos depois, o filho do casal, menor de idade, chegou a casa, contou a mulher.

Rosa referiu que começou a ficar preocupada quando ligou a Luís e este não atendeu a chamada. A mulher apontou que geralmente, «mandava mensagem e quando ele percebia retornava as chamadas ou mensagens». A mulher referiu que ficou à espera que o telefone tocasse e que por volta das 18h voltou a tentar contactar o marido sem sucesso. «Esperei porque pensei que o telemóvel estivesse no silêncio e era normal que um treino de 1 ou 2 horas passasse a 4 horas».

«Foi angustiante. Estávamos à procura e não encontrávamos nada. Continuo à espera que o Luís abra a porta», confessou.

Depois Rosa continuou a contar que durante as goras que se seguiram o seu grau de preocupação aumentou exponencialmente e que por volta das 20h retornou a ligar, tendo em mente que Luís nunca «treinava de noite». De seguida, a mulher afirmou que tinha saído de casa e procurado pelo marido nas imediações da casa, colocando a hipóteses de que este podia ter tido um furo na bicicleta. Descrevendo o seu estado como «desesperado», Rosa disse que sem respostas ou sem pistas decidiu dirigir-se à GNR, pedindo ao filho para ficar em casa caso o pai regressasse.

«Não conheço ninguém que lhe quisesse mal»

No dia 24 de agosto, o corpo de Luís foi encontrado nu com um saco de lixo na cabeça, numa localidade em Portalegre a 134 quilómetros de casa, perto da habitação dos sogros. Rosa estava nas instalações da Polícia Judiciária quando o corpo foi encontrado.

Sobre o aparecimento do corpo do marido, a viúva salientou, na altura, que não conhecia ninguém «que quisesse mal» a Luís. Rosa declarou que acreditava que Luís tinha sido encontrado sem roupa para que «o corpo se decompusesse mais facilmente ou ainda por a roupa ter vestígios de outra pessoa».

Sobre ter sido descoberto perto da casa dos pais desta, a mulher não referiu por diversas vezes que não encontrava nenhuma explicação. Rosa afirmou que achava que Luís devia ter sido atropelado ou assaltado e que «alguma coisa» não tinha corrido bem.

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Rosa é alvo de várias críticas antes de ser detida

Sobretudo após o corpo de Luís ter sido encontrado, Rosa foi alvo de duras críticas por parte da opinião pública. Primeiramente, a mulher foi repreendida por ter ido «de branco ao funeral».  Rosa explicou que por debaixo tinha «a camisola com que Luís ganhou a última prova que fez». Foram-lhe apontadas críticas também por aparentar estar «bem» psicológica e emocionalmente. Rosa respondeu às acusações e afirmou que o marido não havia de querer que se «fosse abaixo».

«Tenho de dar força ao menino. Ele não está bem, estou eu e vamos continuar», justificou.

Investigação criminal apontava para crime passional desde o início

Devido ao facto de o corpo de Luís ter sido encontrado nu, as autoridades policiais equacionaram a hipótese de se ter tratado de um crime passional. Na altura, soube-se a PJ  equacionava a hipótese de se ter tratado de um crime passional praticado por uma pessoa que se encontrava numa possível relação extraconjugal com a vítima.

Rosa descartou por completo esta possibilidade: «Eu sei, o Luís sabia. Conhecemos-nos. A nossa vida, pelos vistos, faz confusão a muita gente. Éramos um casal feliz. Tivemos altos e baixos como toda a gente».

«Quem o matou pode ter querido vingar-se e quis como que deixar um recado, não a ele, mas a quem o possa entender, de que foi por ele andar despido que foi morto», referiu uma fonte da Polícia Judiciária, no início da investigação, ao Observador.

O saco de plástico também indicava que o alegado homicida tinha uma relação amorosa, familiar ou de circunstância com a vítima. Tapar o rosto de um corpo pode traduzir-se em culpa ou arrependimento por parte do assassino. A psicologia forense explica que o facto de um criminoso tapar a cara da vítima durante ou depois de um homicídio é habitualmente um indicador de proximidade com a mesma.

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