Empresas de Tondela sobrevivem em instalações provisórias até serem reerguidas

Um mês após os incêndios que atingiram a região Centro, são várias as empresas do concelho de Tondela que tentam sobreviver em instalações provisórias

Empresas de Tondela sobrevivem em instalações provisórias até serem reerguidas

Um mês após os incêndios que atingiram a região Centro, são várias as empresas do concelho de Tondela que tentam sobreviver em instalações provisórias, até que possam ser reerguidas, num regresso desejado à normalidade.

Passaram 31 dias e o cheiro intenso a queimado ainda se sente nas imediações do amontoado de sucata que as chamas deixaram, depois de terem consumido a Tratris, uma empresa de tratamento de resíduos industriais, situada na zona industrial da Adiça, em Tondela.

«Estimamos que os prejuízos totais rondem os 1,5 milhões de euros. Foi perda total, ficou a sucata das construções das instalações, sucata com pouco valor», lamentou José Helder Viegas, responsável pela área comercial da Tratris.

Apesar de nada ter restado, a administração da empresa garante que pretende reconstruir instalações idênticas, com dimensão aproximada e exatamente no mesmo local.

«Os apoios governamentais abriram na semana passada, a CCDR [Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional] está a fazer a avaliação dos prejuízos, a confrontar com os nossos dados. Depois, vai fazer-se a candidatura e vamos ver se isto vai ser um processo célere, esperemos que sim e, se tudo correr bem, penso que dentro de meio ano estamos em condições de retomar a atividade», apontou.

Até lá, a solução passou por encontrar instalações provisórias, onde pudessem realizar, pelo menos, parte da atividade que desenvolviam.

«Nas instalações provisórias estamos a desenvolver a atividade mais simples, principalmente os resíduos recicláveis, de cartão e plástico, essencialmente esses, para mantermos a maior parte dos nossos clientes», explicou.

A outra área do negócio, a do transporte dos resíduos, também está a ser assegurada, estando mais limitados na parte da triagem.

Em relação aos 19 funcionários da empresa, apenas “12 ou 13” estão a laborar depois dos incêndios de 15 de outubro.

«Mas, no momento em que se retome a atividade da empresa, eles voltarão, porque são necessários e já tinham experiência», garantiu.

A poucos metros das instalações da Tratris, as chamas também ‘varreram’ uma unidade do Grupo Valouro, consumindo totalmente as instalações do Centro de Incubação, pertencente à Sociedade Agrícola da Quinta da Freiria.

O prejuízo causado ronda os 3,5 a quatro milhões de euros, mas para reerguer a Pinto Valouro serão precisos cerca de sete milhões de euros.

«A ter de refazer, vamos apostar em tecnologia muito mais avançada», revelou Carla Marques, responsável pelas instalações de Tondela há 21 anos.

Aqui laboravam 47 pessoas que acabaram por ser colocadas em outras empresas do grupo, localizadas a menos de 30 quilómetros de Tondela.

«Tentámos não as mandar para muito longe, minimizando esse contratempo. Colocámos uns no Campo de Besteiros e outros em Tábua, enquanto os motoristas continuam a fazer as mesmas funções», informou.

Quanto às novas instalações, estima que estejam concluídas dentro de oito a nove meses.

«Quero ser otimista, a administração está otimista e eu confio muito neles. Aponta-se para daqui a oito ou nove meses conseguirmos estar a produzir e nós queremos acreditar que sim, por todas as razões e mais algumas», destacou.

Depois de um período em que estes trabalhadores se sentiram «um pouco perdidos» e interrogando-se sobre o que ia ser das suas vidas, a tranquilidade acabou por chegar ao terem sido colocados em outras empresas do grupo.

«No nosso caso, felizmente, a administração conseguiu isso e deu outra estabilidade às pessoas para enfrentarem estes meses até termos isto pronto», disse.

Na Lajeosa do Dão, uma das freguesias do concelho de Tondela, nem a farmácia local escapou à fúria das chamas que destruiu tudo o que foi apanhando pela frente.

«Os danos foram totais, em termos de medicamentos e produtos de saúde ficámos com tudo inutilizado, assim como equipamentos informáticos e mobiliário. Não se aproveita nada», descreveu Hugo Ângelo, diretor técnico e proprietário da Farmácia da Lajeosa do Dão.

A própria estrutura do edifício necessita de «uma intervenção muito profunda», o que o leva a equacionar encontrar outras instalações.

A solução passou por improvisar, logo dois dias depois dos incêndios, uma farmácia no edifício da Junta de Freguesia da Lajeosa do Dão.

«Logo na terça-feira de manhã tínhamos a farmácia aberta ao público, naturalmente com algumas falhas de medicação, pois não conseguimos o ‘stock’ todo de uma só vez, mas os medicamentos com mais rotação já estavam aqui em ‘stock’», referiu.

Para tal, valeu “a prontidão” com que respondeu a sua equipa, constituída por sete pessoas, e a boa vontade da Junta de freguesia da Lajeosa do Dão, que “tem sido incansável”.

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