Tudo o que se sabe sobre Sara, a sem-abrigo que deixou o filho no lixo

Jovem, de 22 anos, está a aguardar julgamento em prisão preventiva e é indiciada de homicídio qualificado na forma tentada.

Tudo o que se sabe sobre Sara, a sem-abrigo que deixou o filho no lixo

Tudo o que se sabe sobre Sara, a sem-abrigo que deixou o filho no lixo

Jovem, de 22 anos, está a aguardar julgamento em prisão preventiva e é indiciada de homicídio qualificado na forma tentada.

Passaram-se duas semanas desde que o recémnascido foi encontrado num ecoponto, junto à zona de Santa Apolónia, em Lisboa. Três dias depois, Sara Furtado era detida e identificada por «fortes indícios da prática de homicídio qualificado, na forma tentada». Desde então, a jovem, de 22 anos, está em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Tires.

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Um grupo de advogados, alheios ao processo, submeteram no dia 11 de novembro um pedido de «habeas corpus». O grupo alegava que a jovem, de 22 anos, deveria ser suspeita de «exposição ou abandono», um crime que não permite a aplicação de prisão preventiva.

O Supremo Tribunal de Justiça rejeitou, em menos de 24 horas, o pedido, considerando que tal se aplica pelo facto de que «a arguida, de forma premeditada, ocultando a gravidez e munindo-se de um saco de plástico para o efeito, ter depositado o seu filho acabado de nascer num caixote do lixo na via pública».

Gravidez foi encoberta e sem-abrigo terá agido sozinha

As circunstâncias do caso estão ainda a ser apuradas, mas, até à data, sabe-se que a arguida «colocou o bebé e o material biológico proveniente do parto no referido saco de plástico e depositou o mesmo num ecoponto amarelo». A mulher vivia numa tenda junto à estação de caminhos de ferro de Santa Apolónia, juntamente com o companheiro, mas terá agido sozinha.

Na decisão do STJ, de 36 páginas, estão as declarações e as explicações dadas pela jovem quando presente a primeiro interrogatório judicial. A arguida revelou ter feito um teste no centro de apoio a sem-abrigo na Mouraria, onde disse saber estar no sétimo mês de gestação, mas não querer abortar. A gravidez foi encoberta, mas não pensou em pedir ajuda, acrescentou, admitindo que colocou a criança num saco de plástico e depositou-o num contentor ecoponto.

Quanto ao motivo que a levou a cometer tal ato, Sara Furtado justificou com o facto de estar desesperada por não ter condições porque vivia na rua. A identidade do pai da criança não foi revelada e a jovem afirma não saber quem é.

Bebé esteve 15 horas no ecoponto

No documento do Supremo Tribunal de Justiça é ainda revelado que o bebé esteve cerca de 15 horas no ecoponto. O recém-nascido terá sido depositado no contentor antes das três da manhã do dia 5 de novembro, altura em que Sara regressou à tenda, até às 17h30 do mesmo dia, quando foi encontrado por outro sem-abrigo.

Por volta das 13h00 do mesmo dia, Sara passava com o companheiro junto ao local onde deixara o bebé e foi alertada para a suspeita de dois sem-abrigo que tinham ouvido um bebé chorar nos contentores. A mulher terá afastado o companheiro do local, de forma a não ser descoberta. O companheiro, Milton Sidney, já terá questionado a mãe do menino sobre a roupa suja de sangue que encontrara na tenda.

Família não sabia que jovem «estava a viver na rua»

A jovem cabo-verdiana terá vindo para Portugal em 2014 para se encontrar com a mãe, que residia cá, refere o embaixador de Cabo Verde em Portugal, citado pelo Público. Atualmente, os avós e tios da criança vivem em Portugal, mas não tinham conhecimento da situação da jovem.

«Não sabemos o que terá acontecido para ela não viver com eles, ou se os familiares tinham ou não tinham informação sobre o paradeiro dela. De qualquer modo, estranharam a informação de que ela estava a viver na rua», salientou o embaixador.

Bebé poderá ser recebido por família de acolhimento no dia em que tiver alta hospitalar

bebé, que «está clinicamente estável», poderá ser recebido por uma família de acolhimento no dia em que tiver alta hospitalar. A diretora da Unidade de Adoção da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa revela que o processo de acolhimento será rápido, uma vez que já existem famílias sinalizadas.

Isabel Pastor assegura que têm recebido vários telefonemas de famílias que estão disponíveis para cuidar do bebé. O mais provável será a criança ser entregue a uma das famílias já «avaliadas e selecionadas», garante, em declarações à Renascença.

Texto: Sílvia Abreu

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