Julgamento de Rosa Grilo começa amanhã

Rosa Grilo e António Joaquim, acusados do homicídio de Luís Grilo, vão ser presentes amanhã em tribunal. O julgamento inicia-se mais de um ano após o desaparecimento do triatleta, a 16 de julho de 2018.

Julgamento de Rosa Grilo começa amanhã

Rosa Grilo e António Joaquim, acusados do homicídio de Luís Grilo, vão ser presentes amanhã em tribunal. O julgamento inicia-se mais de um ano após o desaparecimento do triatleta, a 16 de julho de 2018.

Rosa Grilo e António Joaquim, acusados pelo Ministério Público (MP) da coautoria do homicídio de Luís Grilo, marido da arguida, vão estar presentes amanhã, terça-feira, 10 de setembro, no Tribunal de Loures, pelas 09h15, para dar início à primeira sessão de julgamento, a qual servirá para ouvir as declarações dos suspeitos.

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Mais de um ano após o desaparecimento do triatleta, Rosa Grilo e o ex-amante sentam-se no banco dos réus para responder pelos crimes de homicídio qualificado agravado, profanação de cadáver e detenção de arma proibida. Os arguidos encontram-se em prisão preventiva desde 29 de setembro do ano passado.

Luís Grilo desapareceu a 16 de julho de 2018

Luís Grilo foi dado como desaparecido a 16 de julho de 2018, depois de a mulher, Rosa Grilo, ter dado o alerta às autoridades. Segundo a investigação, Luís Grilo terá morrido entre o dia «15 e 16 de julho de 2018». Mais de um mês depois, a 24 de agosto, o corpo do triatleta foi encontrado perto de Alcórrego, distrito de Portalegre, a 134 quilómetros de casa. O caso tem vindo a ganhar novos contornos ao longo da investigação, como mostra a seguinte cronologia.

16 de julho de 2018 – Desaparecimento de Luís Grilo

Luís Grilo sai de casa pelas 16h30 para ir fazer um treino de hora e meia a duas horas. Depois seguiria para a piscina com o filho, Renato, de 13 anos. Partiu sem documentos. Levava apenas o relógio e o telemóvel dentro de uma bolsa de plástico no interior da roupa de treino, para proteger o aparelho do suor. Esta foi a versão apresentada por Rosa Grilo às autoridades. Sem notícias do marido, a mulher do triatleta deu conta do desaparecimento à GNR de Castanheira do Ribatejo neste mesmo dia.

18 de julho de 2018 – Telemóvel encontrado

Dois dias depois de Luís Grilo ter sido dado como desaparecido, o seu telemóvel é encontrado na berma da estrada, desligado, fora da bolsa de plástico, em Casais da Marmeleira de Cadafais, Alenquer, a seis quilómetros de casa. A forma como o aparelho foi encontrado mudou o rumo da investigação. As autoridades levantaram a suspeita de o desaparecimento estar associado a um crime.

24 de agosto de 2018 – Corpo de Luís Grilo aparece com sinais de grande violência

A 24 de agosto, pelas oito e meia da manhã, o corpo do triatleta é encontrado numa estrada sem saída, perto de Alcórrego, distrito de Portalegre, a 134 quilómetros de casa. Estava em avançado estado de decomposição, sem roupa e com um saco de plástico na cabeça. O alerta foi dado por um popular que fazia uma caminhada na zona e sentiu um cheiro a putrefação.

Tudo apontava para homicídio. O corpo tinha sinais de grande violência e, após várias perícias ao local, a PJ verifica que o crime não se consumou onde o corpo foi encontrado, porque havia sinais de ter sido arrastado. Dadas estas circunstâncias, a GNR passou o caso para a equipa de Homicídios da Polícia Judiciária. Dois dias depois, a autópsia confirma que o corpo é de Luís Grilo e que as marcas de violência presentes no cadáver foram provocadas por terceiros. O triatleta é descrito por amigos e familiares como um homem com uma vida normal, sem problemas familiares, nem dificuldades financeiras que lhe trouxessem instabilidade. Não existiam motivos para um crime violento.

29 de setembro de 2018 – Rosa Grilo e o amante, António Joaquim, são detidos

Rosa Grilo é detida pela Polícia Judiciária de Lisboa, sob suspeita de ter matado o marido em conluio com o amante, António Joaquim, detentor da arma do crime. A PJ avança que tudo terá acontecido por motivos sentimentais e financeiros, pelo que foi premeditado pelos homicidas.

Apesar de ter dado o alerta do desaparecimento do marido a 16 de julho e de ter participado nas buscas, Rosa Grilo foi sempre considerada suspeita para os investigadores. A viúva era a única testemunha da alegada saída do marido para ir andar de bicicleta. O próprio treinador de Luís Grilo achou estranho este tipo de treino, uma vez que o triatleta não gostava de pedalar em estrada e tinha feito recentemente uma prova de triatlo na Alemanha, pelo que deveria estar a descansar. Durante os 39 dias em que Luís esteve desaparecido, Rosa Grilo nunca fechou a loja de informática do marido, onde trabalhava como administrativa, o que levantou mais suspeitas da PJ.

MP atribui a António Joaquim a autoria do disparo sobre Luís Grilo

Na acusação, o MP pede que seja aplicada a Rosa Grilo a pena acessória da declaração de indignidade sucessória (sem direito a herança) e a António Joaquim (oficial de justiça) a pena acessória de suspensão de exercício de funções públicas. O MP atribui a António Joaquim a autoria do disparo sobre Luís Grilo, na presença de Rosa Grilo, no momento em que o triatleta dormia no quarto de hóspedes na casa do casal, na localidade de Cachoeiras, Vila Franca de Xira, para assim poderem assumir a relação amorosa e beneficiarem dos bens da vítima – 500.000 euros em indemnizações de vários seguros e outros montantes depositados em contas bancárias tituladas por Luís Grilo, além da habitação.

Rosa Grilo e António Joaquim planearam morte do triatleta durante 7 semanas

O despacho de acusação do MP conta que, em 15 de julho de 2018, os dois arguidos, de 43 anos, após trocarem 22 mensagens escritas em três minutos, «combinando os últimos detalhes relativo ao plano por ambos delineado para tirar a vida de Luís Grilo», acordaram desligar os respetivos telemóveis. Numa hora não apurada, mas entre essa noite e a manhã do dia seguinte, «em execução do plano comum que já haviam acordado há, pelo menos, sete semanas», António Joaquim, na posse de uma arma de fogo municiada, dirigiu-se à casa onde residiam Luís Grilo e Rosa Grilo.

A acusação relata que o arguido entrou na residência «com o conhecimento» da arguida e que ambos se dirigiram ao quarto dos hóspedes, localizado no primeiro andar, onde se encontrava Luís Grilo a dormir. No dia após a morte do triatleta, António Joaquim começou a frequentar a casa de Rosa Grilo, «não obstante estarem em curso diligências tendentes à localização do paradeiro de Luís Grilo por familiares, amigos e autoridades policiais», segundo a acusação.

O MP, em representação do filho menor de Rosa Grilo e do triatleta, apresentou um pedido de indemnização civil de 100 mil euros contra a arguida e António Joaquim.

Texto: Jéssica dos Santos; WiN

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