Caso Tancos: Suposto cabecilha do grupo remete-se ao silêncio em tribunal

João Paulino, apontado como líder do furto das armas de Tancos, remeteu-se ao silêncio e não prestou declarações nesta fase de instrução.

Caso Tancos: Suposto cabecilha do grupo remete-se ao silêncio em tribunal

Caso Tancos: Suposto cabecilha do grupo remete-se ao silêncio em tribunal

João Paulino, apontado como líder do furto das armas de Tancos, remeteu-se ao silêncio e não prestou declarações nesta fase de instrução.

Joâo Paulino, o ex-fuzileiro suspeito de ter liderado o furto das armas nos paióis de Tancos, recusou falar esta quarta-feira em tribunal o juiz Carlos Alexandre, conforme revelou Manuel Ferrador, advogado do ex-diretor da PJ Militar, à saída do tribunal do Monsanto. Isto, apesar de o seu depoimento ser considerado crucial para esclarecer os factos relacionados com o furto e a recuperação de material de guerra dos paióis de Tancos.

Em prisão preventiva desde setembro de 2018, João Paulino será libertado na próxima terça-feira, 28 de janeiro, por ter atingido o limite do prazo de prisão preventiva, confirmou à Rádio Renascença Carlos Melo Alves o advogado do ex-fuzileiro.

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Suspeito quer ter acesso às acções encobertas que terão sido montadas pela PJ

Segundo avançou o semanário Expresso na terça-feira, a defesa de João Paulino pediu ao juiz Carlos Alexandre o acesso ao teor de duas ações encobertas que terão sido montadas pela Polícia Judiciária no âmbito da operação sobre a recuperação das armas e que levou à descoberta da alegada encenação que envolveu a recuperação do material furtado.

Uma vez que a defesa ainda não teve acesso aos documentos relacionados com estas ações encobertas, conforme adiantou o Expresso, e que o Ministério Público ainda tem de se pronunciar sobre a recusa de Carlos Alexandre em permitir a consulta desse “apenso confidencial”, João Paulino optou por se meter ao silêncio. Pelas 9h50, vários advogados saiam do tribunal em virtude da diligência ter sido dada como terminada.

O processo de Tancos tem 23 pessoas acusadas, entre as quais o ex-ministro Azeredo Lopes, que se demitiu do cargo em outubro de 2018 na sequência das revelações e da polémica em torno do caso. Aos arguidos são imputados crimes como terrorismo, associação criminosa, denegação de justiça, prevaricação, falsificação de documentos, tráfico de influência, abuso de poder, recetação e detenção de arma proibida.

Caso do furto das armas em Tancos foi divulgado pelo Exército a 29 de junho de 2017

Nove dos 23 arguidos foram acusados de planear e executar o furto do material militar dos paióis nacionais e os restantes 14, entre os quais Azeredo Lopes, da encenação que esteve na base da recuperação do equipamento. O ex-ministro da Defesa foi acusado de prevaricação e denegação de justiça, abuso de poder e favorecimento pessoal.

O caso do furto das armas em Tancos foi divulgado pelo Exército a 29 de junho de 2017 com a indicação de que ocorrera no dia anterior, tendo a alegada recuperação do material de guerra furtado ocorrido na região da Chamusca, Santarém, em outubro de 2017, numa operação que envolveu a PJ Militar, em colaboração com elementos da GNR de Loulé. Vários militares da GNR de Loulé foram acusados no processo.

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