Prisão domiciliária para mulher que tentou raptar recém-nascida de hospital no Porto

A investigação do caso concluiu – e o tribunal concordou – que a mulher, de 48 anos, simulou a gravidez e tentou sequestrar a recém-nascida, tudo «com o propósito de retomar a relação amorosa que anteriormente mantinha» com um homem.

Prisão domiciliária para mulher que tentou raptar recém-nascida de hospital no Porto

Prisão domiciliária para mulher que tentou raptar recém-nascida de hospital no Porto

A investigação do caso concluiu – e o tribunal concordou – que a mulher, de 48 anos, simulou a gravidez e tentou sequestrar a recém-nascida, tudo «com o propósito de retomar a relação amorosa que anteriormente mantinha» com um homem.

O Tribunal de São João Novo, no Porto, condenou esta quinta-feira, 19 de dezembro, a dois anos e meio de prisão domiciliária uma mulher que em fevereiro deste ano tentou raptar uma recém-nascida no Hospital de São João, naquela cidade.

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Arguida foi ainda condenada a pagar indemnização aos progenitores do bebé

Desta pena é descontado o tempo de prisão domiciliária preventiva, que foi de nove meses, especificou a presidente do coletivo de juízes durante a leitura do acórdão. A arguida foi ainda condenada a pagar mil euros a cada um dos progenitores da criança.

«Resultaram provados todos os factos constantes da acusação», sintetizou a presidente do coletivo. Dirigindo-se à arguida, a magistrada disse que a sua conduta foi «de todo inexplicável, tanto mais que já foi mãe e avó». Além disso, «não mostrou nenhum arrependimento nem pediu desculpa».

Mulher simulou gravidez e tentou sequestrar bebé para retomar relação amorosa

A investigação do caso concluiu – e o tribunal concordou – que a mulher, de 48 anos, simulou a gravidez e tentou sequestrar a recém-nascida, tudo «com o propósito de retomar a relação amorosa que anteriormente mantinha» com um homem. Foi, por isso, condenada pela prática de um crime de sequestro agravado, na forma tentada.

Entrou no hospital e vestiu uma bata para se fazer passar por médica

Para tentar levar a criança, a arguida entrou «de forma não apurada e não autorizada» na Obstetrícia do hospital, cerca das 19:00 de 2 de fevereiro. Para poder circular no hospital sem levantar suspeitas, «decidiu identificar-se como médica, vestindo para o efeito um bata descartável azul e colocando um estetoscópio ao pescoço», descreve a acusação.

Suspeita anunciou uma falsa gravidez para estabilizar a relação

A arguida e o seu namorado tinham interrompido uma relação que durara quase um ano e, em outubro de 2018, «retomaram pontualmente os contactos pessoais e de cariz sexual». Na sequência de uma discussão, a mulher mentiu-lhe, com o alegado propósito de estabilizar a relação, anunciando uma falsa gravidez e o propósito de a levar até ao fim.

Fez pelo menos duas montagens de imagens ecográficas de um feto, «onde introduziu um cabeçalho falso com o seu nome», espalhou pela casa roupa de bebé e, já em 24 de janeiro de 2019, contactou telefonicamente o homem, comunicando-lhe que a filha de ambos tinha nascido prematuramente e que se iria chamar Vitória.

«A arguida sabia que não tinha estado grávida, nem tinha tido nenhum bebé, mas, querendo manter a relação […] e a história que tinha forjado, decidiu então ‘arranjar’ um bebé», explica a acusação.

Comportamento da mulher levantou desconfiança ao pai da bebé

Além da bata e do estetoscópio, para se fazer passar por médica levava consigo um casaco e uma mochila, alegadamente para nela trazer a bebé. Ao ser interpelada por uma auxiliar de ação médica, terá respondido que era médica e estava à espera do processo de um parturiente que identificou.

Pediu para pegar na bebé ao colo, mas o seu comportamento suscitou desconfiança ao pai da recém-nascida, que entretanto entrou no quarto.

Temendo que o pai da criança se apercebesse do seu objetivo, a arguida entregou a bebé a outro familiar que também ali se encontrava, pegou no casaco e na mochila e saiu do quarto, relata a acusação. Acabou intercetada por funcionários do hospital, entretanto alertados pelo pai da criança.

Em julgamento, a mulher optou pelo silêncio. Questionado sobre se iria recorrer, o advogado da arguida limitou-se a dizer que não faria quaisquer declarações.

Lusa

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