Preso tinha poço na cela onde guardava droga

Um arguido assumiu esta quarta-feira em julgamento que guardava na cela droga de dois dos três alegados cabecilhas de uma rede que traficava estupefacientes e outros bens proibidos no interior da cadeia de Paços de Ferreira, distrito do Porto.

Preso tinha poço na cela onde guardava droga

Preso tinha poço na cela onde guardava droga

Um arguido assumiu esta quarta-feira em julgamento que guardava na cela droga de dois dos três alegados cabecilhas de uma rede que traficava estupefacientes e outros bens proibidos no interior da cadeia de Paços de Ferreira, distrito do Porto.

Um arguido assumiu esta quarta-feira em julgamento que guardava na cela droga de dois dos três alegados cabecilhas de uma rede que traficava estupefacientes e outros bens proibidos no interior da cadeia de Paços de Ferreira, distrito do Porto.

Na primeira sessão de julgamento, que tem 20 arguidos, incluindo um chefe da guarda prisional, e que decorre no pavilhão anexo ao Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira (EPPF), prestaram declarações quatro arguidos, três para negarem todas as acusações e um que pediu para falar na ausência dos restantes por se sentir “amedrontado”.

Após a presidente do coletivo de juízes, Maria Judite Fonseca, ordenar a saída dos arguidos, Carlos Rocha assumiu que “adquiriu diretamente produto estupefaciente” a Diamantino Oliveira, considerado pelo Ministério Público (MP) um dos supostos cabecilhas.

Assumindo que, à data, era toxicodependente e consumidor de heroína, cocaína e haxixe, Carlos Rocha explicou que acabou por se “endividar” com o arguido Diamantino Oliveira, acrescentando que guardava na sua cela o telemóvel deste.

Posteriormente, entre janeiro de 2017 e outubro de 2018, assumiu que passou a guardar num “poço” feito debaixo da cama, com recurso a um martelo, durante a greve dos guardas prisionais, “heroína e canábis, a pedido do arguido Mário Barros”, outro suposto líder desta rede criminosa.

Carlos Rocha explicou que o Mário Barros pagou a sua dívida a Diamantino Oliveira e que ficou só a colaborar com Mário Barros, passando a guardar produto estupefaciente entregue por este arguido, que trabalhava no bar do EP de Paços de Ferreira.

“No total terei guardado cerca de quatro quilogramas de heroína”, revelou o arguido ao coletivo de juízes.

O arguido relatou que Mário Barros começou a ganhar confiança nele, sabendo que era toxicodependente e que não recebia visitas.

“Às vezes, era por semana [a entrega de produto estupefaciente]. Quando tinha [produto estupefaciente] pedia-me para guardar. Em troca, além de pagar a dívida [ao Diamantino Oliveira], fornecia-me a heroína”, afirmou.

Carlos Rocha disse ainda em tribunal saber de outros reclusos que vendiam estupefaciente, mas negou ter participado na distribuição da droga entregue por Mário Barros, sublinhando que “nunca o viu a vender”.

Admitiu ter conhecimento de que outras pessoas/reclusos vendiam a droga por ele, mas sem mencionar nomes.

O arguido explicou que a droga chegava ao EP de Paços de Ferreira “tipo em tijolo ou pedra”, isolada em fita castanha.

“Ele [Mário Barros] trabalhava no bar, moía as pedras no moinho de café. Vi algumas vezes fazer isso. Quando me entregava já vinha em pó. Passava-me pelo postigo para guardar na minha cela até ao dia seguinte. Também me dava droga para meu consumo”, assumiu Carlos Rocha que ajudou, em algumas vezes, Mário Barros a pesar o produto estupefaciente.

Mais tarde, confessou que passou a guardar na sua cela o produto estupefaciente de Mário Barros e dos arguidos Sérgio Rocha e Daniel Ferreira, nomeadamente canábis (cerca de meio quilograma num ano) e, em troca, recebia haxixe.

Além disso, recebeu Números de Identificação Bancária (NIB) fornecidos por estes arguidos para os entregar a outros reclusos para pagamento de despesas de tabaco e de produto estupefaciente.

Quanto ao arguido Joel Rodrigues, o terceiro cabecilha desta rede, Caros Rocha apenas ouvia dizer na cadeia que se tratava do “Joel da Afurada”, mas salientou que nunca teve contacto com o mesmo nem com o chefe do corpo de guardas prisionais no EPPF, entre 2012 e 2019, José Coelho, 62 anos (entretanto aposentado) e preso preventivamente no Estabelecimento Prisional de Évora.

Dos 20 arguidos (eram 21, mas um faleceu após a acusação do Ministério Público), um faltou e hoje apenas quatro prestaram declarações, com os três alegados líderes do grupo criminoso, Joel Rodrigues, Diamantino Oliveira (estes em prisão preventiva) e Mário Barros, a optarem, para já, pelo silêncio.

O julgamento prossegue na quinta-feira com a continuação da audição deste arguido.

O julgamento ficou ainda marcado por fortes medidas de segurança, com a presença de cerca de duas dezenas de elementos do Grupo de Intervenção e Segurança Prisional (GISP) e de militares da GNR.

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