Noémia Costa recorda período difícil: “Pedi a Deus para me levar”

Na tarde deste sábado, a SIC transmitiu a entrevista de Noémia Costa no “Alta Definição. A atriz recordou os pais, o trabalho com doentes mentais e ainda a relação dolorosa com Licínio França, pai da filha.

Noémia Costa recorda período difícil:

Noémia Costa recorda período difícil: “Pedi a Deus para me levar”

Na tarde deste sábado, a SIC transmitiu a entrevista de Noémia Costa no “Alta Definição. A atriz recordou os pais, o trabalho com doentes mentais e ainda a relação dolorosa com Licínio França, pai da filha.

Noémia Costa foi a convidada de Daniel Oliveira, no “Alta Definição” deste sábado, 12 de dezembro. A atriz, de 56 anos, que dá vida a Prazeres na novela “Terra Brava”, da SIC, recordou os pais, os anos sem trabalho em que se viu obrigada a emigrar para Inglaterra e ainda os momentos difíceis que viveu às mãos do ex-marido, Lícinio França, em que foi vítima de violência física e psicológica.

A conversa começou com Noémia Costa a recordar a infância. “Os meus pais são os melhores pais do mundo. Todo o carinho e amor que ele me deram… Sempre o colo, sempre o abraço. O lema do meu pai era ‘um por todos e todos por um’”, começou por dizer. “Já a minha mãe dizia sempre ‘não chores na frente de ninguém. Quando precisares de chorar, vem ter comigo’. Era a forma de ela me incutir força”, acrescentou.

A atriz revela que os pais sempre lhe deram tudo o que uma criança precisa para ser feliz. “Sentia amor desde que me levantava até que me deitava”, afirmou, contando depois que, já quando os pais eram mais velhos, os levou para viver consigo: “Tínhamos longas conversas. O meu pai falava comigo e eu ficava ali a beber tudo o que ele dizia. O meu pai era um homem sábio. Nestes últimos anos, antes de ele partir, beneficiei bastante de eles estarem comigo. Tenho muitas saudades deles”.

“Apetecia-me desatar aos gritos”

Noémia Costa recordou a morte do pai. “Ele começou a sentir-se mal praí a 26 [de dezembro]. Levei-o ao médico e comecei a ver uma desistência nele. Ele melhorou, mas no dia 30 começou a piorar muito e eu, à noite, chamei o INEM”, contou. “No dia a seguir, ligaram para mim às 8 da manhã a perguntar se eu podia passar no hospital, porque a médica queria falar comigo. Como eu estava sozinha com a minha mãe em casa, liguei para o meu irmão. Nunca me passou pela cabeça… Mais tarde, ele ligou-me e diz-me ‘não resistiu’”, disse, revelando o que sentiu naquele momento: “Apetecia-me desatar aos gritos, mas não podia porque tinha a minha mãe a dormir”.

Foi a atriz que deu a notícia à mãe. “Ela era uma mulher muito atenta, apesar da idade. Ela sentiu que eu andava ali numa azafama muito grande e chamou-me a perguntar o que se passava. Tentei esticar ao máximo e depois disse-lhe. Não foi fácil. Eles viveram 64 anos juntos. É uma vida”, disse, contando também um episódio muito difícil que viveu com o estado de saúde da mãe, ainda antes da partida do progenitor.

“Eu estava a dar a insulina ao meu pai, na cama. A minha mãe disse que ia para a sala. A determinada altura deixei de ouvir o andarilho… Fui ver e ela estava sob o andarilho com convulsões. Com muito cuidado, consegui coloca-la no chão. Comecei em desespero. Lembro-me de ver o meu pai em pé com o telefone na mão. Chamei o INEM e só ouvia na minha cabeça ‘bate-lhe no peito’. Comecei a fazer aquilo que nós vemos nos filmes e de repente ela volta. Foi para o hospital”.

A mãe de Noémia Costa perdeu a vida em novembro do ano passado.

Noémia Costa ficou sem trabalho e emigrou

Noémia Costa foi atriz toda a vida, mas passou por dois momentos muito complicados com falta de trabalho na representação. O primeiro aconteceu quando tinha 46 anos e teve de arranjar outro emprego. “Ia às empresas vender medicina no trabalho. Foi através de uma amiga… Ela levou-me para essa empresa, fiz formação, peguei no meu carro e fiz-me à estrada”.

Depois disso, ainda participou na série “Bem-Vindos a Beirais” e na novela “O Sábio”, ambos da RTP. Mas, depois, voltou a ficar desempregada. “Fui para Inglaterra trabalhar com pessoas com problemas mentais. Tratava deles, fazia higiene, tudo”, recordou, emocionada e sem contar as lágrimas: “Houve pessoas que morreram nas minhas mãos. Não me eram nada, estavam a sofrer, e fizeram a passagem nas minhas mãos”.

Ainda com as lágrimas nos olhos, a atriz recordou uma das situações que mais a marcou, de um paciente que tinha Alzheimer: “Uma enfermeira chamou-me. Entrei no quarto e ele estava com o filho, a nora e a mulher. Ele estava deitado. Em Inglaterra, faz-se testamento vital e ele não tinha feito. Então, tinham que tentar reanimá-lo. A enfermeira estava com um computador, estava um médico… e ele diz ‘tens de o reanimar. Tira-o da cama imediatamente’.”

“Eu fiquei estúpida a olhar para aquilo. Eu tinha começado a trabalhar há pouco tempo e pensei ‘então vão tirar a pessoa da cama’… Ele estava ali com a mulher, tão confortável. Ela começa a tentar fazer reanimação. Aí, reparei que ele tinha partido. Disse-lhe para parar, tratei de tudo com ela e depois vim cá para fora chorar copiosamente. Doeu muito”.

Este período – um dos mais difíceis da vida de Noémia Costa – foi passado com muito sofrimento. Um dos poucos alentos que tinha era a filha. “Ela dizia-me que estava super orgulhosa de mim, por eu não ter baixado os braços”, afirmou, recordando o dia em que recebeu um telefonema da SIC para integrar o elenco de “Terra Brava”: “Eu estava a trabalhar nos Cuidados Continuados. Nesse dia, às 15h45, fui à janela. Estava um dia de sol e eu pedi a Deus para me levar, porque já não estava a aguentar mais. E não demorou muito a chegar a resposta de Deus”.

Nessa mesma noite, às 20h45, Noémia Costa recebeu um telefonema do canal de Paço de Arcos. “Fiquei muito feliz. Comecei a chorar. Foi uma forma de voltar ao meu país e fazer que eu amo”, disse.

Vítima de violência verbal e psicológica

Nesta mesma entrevista a Daniel Oliveira, Noémia Costa recordou ainda o casamento com Licínio França e a forma difícil como a relação terminou. “Ninguém quer que uma relação falhe, principalmente ao fim de 22 anos. Tentei esticar ao máximo, por ela [pela filha, Joana]”, começou por dizer, acrescentando que a relação teve de terminar porque “já não aguentava mais”.

“A agressão física e verbal é sempre dolorosa. Sofri ambas”, disse, sublinhando que a filha assistiu a algumas dessas situações. Apesar de tudo, a atriz fala com carinho do ex-companheiro: “Acho que nós fizemos uma obra prima. A Joana é fruto de um grande amor. Continuo a gostar muito do Licínio, tenho muito respeito por ele, é o pai da minha filha. Foi meu companheiro durante 22 anos.

Desde que se separou, Noémia Costa nunca mais teve ninguém na sua vida. No entanto, não fecha as portas ao amor. “Há algumas coisas para arrumar, mas depois pode ser que o príncipe encantado apareça”.

Texto: Patrícia Correia Branco; Fotos: D.R.

 

 

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