TeleTrade: Recuperação económica tem várias velocidades

Os últimos PMIs mostram que, tanto na Europa como nos Estados Unidos, a atividade de manufatura continua a crescer a um ritmo razoável. A principal diferença entre as duas regiões é no sector dos serviços. Os PMIs dos serviços europeus estão muito abaixo dos 50, indicando uma atividade em declínio, enquanto nos Estados Unidos o sector parece estar a crescer.

TeleTrade: Recuperação económica tem várias velocidades

TeleTrade: Recuperação económica tem várias velocidades

Os últimos PMIs mostram que, tanto na Europa como nos Estados Unidos, a atividade de manufatura continua a crescer a um ritmo razoável. A principal diferença entre as duas regiões é no sector dos serviços. Os PMIs dos serviços europeus estão muito abaixo dos 50, indicando uma atividade em declínio, enquanto nos Estados Unidos o sector parece estar a crescer.

Há cerca de dois meses, a opinião de muitos economistas, era de que a Europa estaria melhor posicionada para crescer no primeiro trimestre de 2021 do que os Estados Unidos. Nessa altura, ambas as regiões estavam a sofrer um aumento de infeções, mas a Europa já estava a assistir a uma redução das infeções devido às restrições económicas, enquanto os Estados Unidos não o estavam a fazer. Isto sugeria que a atividade dos serviços europeus iria em breve recuperar enquanto, nos Estados Unidos, continuaria a haver problemas. Acontece que aconteceu o oposto.

Acredita o analista Frederico Aragau Morais (https://www.teletrade.eu/pt) da TeleTrade, os últimos PMIs mostram que, tanto na Europa como nos Estados Unidos, a atividade de manufatura continua a crescer a um ritmo razoável. A principal diferença entre as duas regiões é no sector dos serviços. Os PMIs dos serviços europeus estão muito abaixo dos 50, indicando uma atividade em declínio, enquanto nos Estados Unidos o sector parece estar a crescer, apesar de dados recentes mostrarem uma diminuição tanto das vendas a retalho como do emprego.

Europa depende da rapidez da distribuição das vacinas

O analista da TeleTrade acredita que, a realidade é que uma dupla recessão para a economia da zona euro parece cada vez mais inevitável, uma vez que as medidas de contenção social mais apertadas estão a criar muitas dificuldades às empresas em janeiro. A produção caiu a um ritmo acrescido, liderado pelo agravamento das condições no sector dos serviços e pelo enfraquecimento do crescimento da produção para o nível mais baixo observado até agora na recuperação de sete meses do setor.

No entanto, a Markit – empresa realizadora dos inquéritos e responsável pela atribuição do valor deste indicador – observou que “o lançamento de vacinas ajudou, entretanto, a manter um forte grau de confiança sobre as perspetivas para o próximo ano, embora o recente aumento dos números de casos de vírus tenha causado algum recuo no otimismo”. Como tal, as perspetivas para a economia da Zona Euro serão determinadas pela rapidez com que a vacina é distribuída. Embora o Reino Unido tenha começado bem, muitas economias da Zona Euro não estão.

Nos Estados Unidos a recuperação é modesta

A TeleTrade acredita que, nos Estados Unidos, a história é muito diferente. O PMI de manufatura aumentou de 57,1 em dezembro para 59,1 em
janeiro, um valor recorde e um nível que indica um rápido crescimento da atividade. No entanto, a Markit observou que “atrasos significativos nas cadeias de abastecimento (supply-chain), escassez de matérias-primas e evidências de armazenamento de bens os produtores impulsionaram os preços dos inputs. A taxa de inflação dos custos foi a mais rápida desde abril de 2018, com as empresas a aumentarem os encargos com a produção ao ritmo mais acentuado desde julho de 2008, num esforço para passar parcialmente os encargos com os custos mais elevados para os clientes.”

Isto pode significar um aumento da inflação global, mas não necessariamente uma inflação excessiva no sentido este atual crescimento mostra apenas uma recuperação relativamente aos meses anteriores. Entretanto, o PMI dos serviços também aumentou, passando de 54,8 em dezembro para 57,5 em janeiro, um nível que indica também um rápido crescimento. Deveu-se, em parte, a um grande aumento da produção. No entanto, o facto de novas encomendas e o emprego terem abrandado devido às novas medidas de confinamento, poderá vir a por pressão sobre este setor.

Japão vê problema da deflação agravar-se

Apesar de não ter sofrido um aumento acentuado das infeções, como tem acontecido nos Estados Unidos e na Europa, a resposta política do Japão à ameaça do vírus não tem impedido a economia de estagnar.

Especificamente, o PMI de manufatura japonês caiu de 50,0 em dezembropara 49,7 em janeiro. O indicar de serviços caiu de 47,7 em dezembro para 45,7 em janeiro. A fraqueza da economia japonesa reflete-se no agravamento da deflação – os preços (excluindo os preços dos alimentos e da energia) caíram 1,0% em dezembro face ao ano anterior, o pior desempenho desde 2009. Isto apesar da política monetária extremamente agressiva do Banco do Japão.

Frederico Aragão Morais
Market Analyst da TeleTrade

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