Quantos são e quais são os países já resgatados pela China?

As condições de resgate chinesas a países em dificuldades económico-financeiras são menos transparentes e mais caras, mas escapam à apertada malha ética. Por isso, alguns economistas criticam esta prática agiota da China.

Quantos são e quais são os países já resgatados pela China?

Se se colocar a linguagem diplomática de lado, podemos formular a questão de outra forma: quantos países a China já comprou? Um novo relatório publicado no AidData pelo Virginia’s College of William & Mary lança alguma luz sobre a prática geralmente não transparente de empréstimos de emergência bilaterais chineses – isto é: resgates financeiros.

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Os investigadores – que também observam o Banco Mundial, a Universidade de Harvard e o Instituto Kiel para a Economia Mundial – identificaram 22 países resgatados por empréstimos chineses quando enfrentaram problemas de liquidez, só entre 2000 e 2021. Os países que utilizaram estes empréstimos incluem Paquistão, Mongólia, Argentina e Sri Lanka. Este último contactou o banco central da China pela primeira vez em 2021, antes ainda de conseguir pagar as suas dívidas, em 2022.

Argentina e Mongólia também foram identificados pelo relatório como países que estão em dificuldades financeiras desde o início de 2010 e que estão a usar a China como ‘agiota’ de último recurso, apesar dos termos do empréstimo do país serem menos favoráveis ​​do que os resgates de juros mais baixos oferecidos pelo FMI ou pelo FED, dos EUA. A lista de resgates chineses também inclui países com grandes eventos de inflação, como o já mencionado Paquistão, a Turquia e o Egito.

Banco Central e banca provada chinesa está a ‘comprar’ cada vez mais países

O relatório conclui que repetidas renegociações dos empréstimos chineses fornecidos pelos swap de liquidez do banco central os colocam numa área cinzenta, altamente duvidosa, que os diferencia de práticas de empréstimos semelhantes, por exemplo, swap de liquidez do FED, dos EUA. Estes também são frequentemente usados ​​em situações de crise, mas devem ser pagos em 12 meses ou declarados como dívida real.

Os empréstimos do FED, por exemplo, são usados ​​com mais frequência pelos países desenvolvidos, enquanto os países em desenvolvimento e de rendimento médio – muitos deles a acumularem também dívidas regulares para com a China – têm-se voltado cada vez mais para a super-potência asiática em busca de ajuda de emergência – resgates. Estes países têm, portanto, conseguido manter as linhas de swap por longos períodos de tempo sem ter de declarar mais dívida externa, embora a um custo maior e com perda de transparência na dívida internacional.

Os montantes de resgate fornecidos pela China permaneceram bastante baixos na década de 2000 e no início de 2010, antes de disparar a partir de 2015, subindo para um total de 100 mil milhões de euros em duas décadas. As formas mais comuns de funcionamento destes empréstimos – que são duas – funcionam através de uma troca de liquidez com o Banco Central da China – onde estava localizada a maior parte dos saldos pendentes de cerca de 40 mil milhões em 2021 – ou através de linhas de crédito de bancos estatais chineses. Três países – Venezuela, Sudão do Sul e Equador – receberam pagamentos antecipados de mercadorias que deveriam entregar à China, por exemplo.

Infographic: The Countries Bailed Out by China | Statista

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