Por que é que há músicas que nos vêm frequentemente à memória?

Existem músicas que, aparentemente sem explicação, ficam presas no ouvido e estamos recorrentemente a lembrarmo-nos delas. Mas será que há algo que explique esta questão?

Por que é que há músicas que nos vêm frequentemente à memória?

Por que é que há músicas que nos vêm frequentemente à memória?

Existem músicas que, aparentemente sem explicação, ficam presas no ouvido e estamos recorrentemente a lembrarmo-nos delas. Mas será que há algo que explique esta questão?

A ciência pode elucidar-nos sobre este acontecimento de que existem músicas que nos vêm à memória recorrentemente. O fenómeno é chamado formalmente de síndrome da canção presa, ou, informalmente, vermes de ouvido (earworms, em inglês).

As músicas que geralmente ficam gravadas na nossa memória têm características comuns. Por exemplo: são mais rápidas, com melodia bastante genérica e fácil de lembrar, mas com intervalos únicos, tais como saltos ou repetições que a distinguem das demais. Outro fator importante prende-se com o facto de estas, por terem exatamente estas características passam mais vezes nas rádios e noutros canais de media.

Kelly Jakubowski, do Departamento de Música da Universidade de Durham, comprovou num estudo científico que existem realmente tipos musicais mais suscetíveis a este acontecimento, tais como os género pop e rap. Este tipo de estudos mostrou inclusivamente aos cientistas que análises deste género ajudam a compreender a forma como funcionam as redes cerebrais envolvidas na perceção, na memória, nas emoções e no pensamento livre.

Uma das músicas de Natal de que as pessoas mais se lembram é de Mariah Carey

Srini Pillay, investigadora em Harvard, também estudou o tema e concluiu que pessoas mais com TOC, ansiosas e stressadas têm mais probabilidade ao acontecimento. O seu cérebro stressado agarra-se a uma ideia repetitiva e fica com ela. Além disso, pessoas com formação musical podem ser mais suscetíveis a vermes de ouvido.

A Universidade Dartmouth levou a cabo uma experiência social em que vários voluntários iriam ouvir uma música sem saber com antecedência qual seria. Os investigadores perceberam que quando o ouvinte reconhecia a música, o córtex auditivo continuava a trabalhar, relembrando a melodia. Por outro lado, quando o ouvinte não conhecia a música, a mente do sujeito ficava ‘vazia’. Para ocupar esse espaço, o cérebro começava a repetir o que tinha acabado de ouvir.

O mecanismo exato que causa este fenómeno no cérebro ainda não foi totalmente descoberto, mas pode passar muito pela nossa evolução enquanto humanos. Mesmo antes da escrita, tínhamos de passar informações e as músicas eram um desses instrumentos para transmitir história e conhecimento. Alguns cientistas acreditam que o cérebro humano tornou-se altamente propenso a gravar informações faladas ou cantadas e a associar algumas palavras a sentimentos e emoções, que vão mais tarde ativar memórias.

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