Ucrânia com “nível de destruição impossível de compreender”

Depois de 100 dias desde o início da guerra na Ucrânia, regista-se em muitas cidades “um nível de destruição impossível de compreender”, afirmou hoje o diretor general do Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICR), Robert Mardini.

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Ucrânia com “nível de destruição impossível de compreender”

Depois de 100 dias desde o início da guerra na Ucrânia, regista-se em muitas cidades “um nível de destruição impossível de compreender”, afirmou hoje o diretor general do Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICR), Robert Mardini.

“Casas, escolas e hospitais – da Ucrânia – foram deixados totalmente devastados e os civis enfrentaram os horrores da guerra, que já ceifou muitas vidas e dividiu muitas famílias”, destacou Mardini em comunicado. Há ainda muitos civis, como os familiares de prisioneiros de guerra, sem qualquer informação sobre o paradeiro dos entes queridos, explicou o responsável do CICR, a organização que tem como missão proteger estes detidos em casos de conflito.

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Segundo Mardini, a organização já conseguiu visitar alguns destes prisioneiros de guerra, apesar de nenhum dos lados do conflito ter concedido acesso à totalidade dos detidos, o que coloca em causa a Terceira Convenção de Genebra que estipula que a Cruz Vermelha deve ter livre acesso aos prisioneiros de guerra em zonas de guerra.

O diretor general da CICR relembrou que o conflito para alguns ucranianos atingiu agora os 100 dias, mas para outros, principalmente os habitantes da zona ucraniana do Donbass, é uma ofensiva que se arrasta há mais de oito anos. “Há muita gente que tem sofrido múltiplas tragédias e muitos habitantes já tiveram de fugir das suas casas em mais do que uma ocasião, refazendo as suas vidas a partir do zero, uma e outra vez”, comentou.

A Rússia lançou na madrugada de 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que causou já a fuga de mais de 14 milhões de pessoas de suas casas – mais de oito milhões de deslocados internos e mais de 6,8 milhões para os países vizinhos –, de acordo com os mais recentes dados da ONU. Também segundo as Nações Unidas, cerca de 15 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

A invasão russa – justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e a imposição à Rússia de sanções que atingem praticamente todos os setores, da banca ao desporto. A ONU confirmou hoje que 4.169 civis morreram e 4.982 ficaram feridos na guerra, que hoje entrou no seu 100.º dia, sublinhando que os números reais poderão ser muito superiores e só serão conhecidos quando houver acesso a cidades cercadas ou a zonas até agora sob intensos combates.

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