Pelo menos 53 mortos em ataque contra centro educativo em Cabul

O atentado suicida perpetrado na sexta-feira contra um centro educativo em Cabul provocou pelo menos 53 mortos, incluindo 46 meninas e mulheres jovens, avançou hoje um novo balanço da Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão.

Pelo menos 53 mortos em ataque contra centro educativo em Cabul

Pelo menos 53 mortos em ataque contra centro educativo em Cabul

O atentado suicida perpetrado na sexta-feira contra um centro educativo em Cabul provocou pelo menos 53 mortos, incluindo 46 meninas e mulheres jovens, avançou hoje um novo balanço da Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão.

“Cinquenta e três mortos, pelo menos 46 meninas e mulheres jovens. 110 feridos. A nossa equipa de direitos humanos continua a documentar o crime: verificar os factos e estabelecer dados confiáveis para combater negações e revisionismo”, sublinhou a missão numa mensagem hoje divulgada na rede social Twitter.

De acordo com o balanço anterior, publicado esta madrugada, o número de mortos situava-se nos 43. O mesmo balanço também dava conta de 83 feridos. O atentado, que vitimou maioritariamente raparigas, foi levado a cabo por um bombista suicida e visou estudantes que estavam a preparar-se para os exames. O ataque ainda não foi reivindicado por nenhum grupo.

A explosão aconteceu no distrito de Dasht-e-Barchi, em Cabul ocidental, uma área predominantemente muçulmana xiita onde vive a minoria hazara, de origem turca e mongol. Este bairro tem sido alvo de vários ataques nos últimos anos, que se intensificaram desde o regresso ao poder dos talibãs, em agosto de 2021.

No fim de semana, foram registadas algumas manifestações, lideradas por mulheres, na capital do país, Cabul, e em outras cidades do Afeganistão para denunciar o ataque, mas as iniciativas foram imediatamente reprimidas pelas forças talibãs, que dispararam para o ar várias vezes a fim de dispersar os manifestantes.

A educação das meninas afegãs é uma questão extremamente sensível no Afeganistão, um país de maioria sunita. Os talibãs proibiram as meninas de frequentar o ensino secundário e, embora as estudantes do sexo feminino sejam admitidas na universidade, o seu número deverá diminuir com o passar dos anos, por incapacidade de aceder a este nível sem ter frequentado o ensino secundário.

O regime talibã também combate a comunidade hazara, que considera herege, visão também partilhada pelo núcleo regional do grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico, o EI-K, que se opõe igualmente à educação de meninas e raparigas. O atentado foi condenado pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, que pediu ao regime talibã que proteja os direitos de todas as pessoas, “independentemente da origem étnica ou do género”.

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