Felipe VI presidiu a cerimónia sem Juan Carlos no aniversário de golpe falhado de 1981

A Espanha comemorou hoje o 40.º aniversário da tentativa falhada de golpe de estado de 23 de fevereiro de 1981 na ausência de Juan Carlos, o antigo rei que foi determinante para impedir a vitória dos saudosistas de Franco.

Felipe VI presidiu a cerimónia sem Juan Carlos no aniversário de golpe falhado de 1981

Felipe VI presidiu a cerimónia sem Juan Carlos no aniversário de golpe falhado de 1981

A Espanha comemorou hoje o 40.º aniversário da tentativa falhada de golpe de estado de 23 de fevereiro de 1981 na ausência de Juan Carlos, o antigo rei que foi determinante para impedir a vitória dos saudosistas de Franco.

O rei Felipe VI presidiu à cerimónia comemorativa no Congresso dos Deputados em que esteve ausente o principal protagonista que impediu o golpe militar de 23 de fevereiro de 1981, o seu pai e antigo rei Juan Carlos expatriado nos Emirados Árabes Unidos pela controvérsia sobre os seus alegados negócios ocultos no estrangeiro.

“A sua firmeza e autoridade foram decisivas para a defesa e o triunfo da democracia”, disse Felipe VI, que não tinha feito qualquer referência ao seu pai desde que este deixou Espanha em 03 de agosto último.

Na presença das mais altas individualidades do Estado espanhol, Felipe VI afirmou que o seu pai assumiu como rei “a sua responsabilidade e o seu compromisso com a Constituição” espanhola.

O antigo soberano pagou no ano passado cerca de 680.000 euros às autoridades fiscais espanholas para tentar evitar vários processos por branqueamento de capitais que ainda não se sabe como irão evoluir.

Quarenta anos depois da tentativa falhada de golpe de estado, a democracia e as instituições espanholas continuam a ser objeto de grandes debates internos.

O líder do Podemos e número três do Governo de coligação de esquerda, Pablo Iglesias, esteve presente na cerimónia, mas é uma figura muito controversa neste momento, depois de afirmar recentemente que não havia uma “situação de plena normalidade política e democrática” em Espanha.

À cerimónia faltaram os representantes de vários partidos nacionalistas e independentistas das comunidades autónomas da Catalunha e do País Basco.

Numa declaração escrita estas formações políticas afirmaram que a Espanha “não pode ser plenamente considerada como uma democracia […] enquanto o Estado espanhol estiver apoiado nas mesmas estruturas políticas, judiciais, policiais e monárquicas de há 40 anos”.

“Estamos a assistir a um descontentamento social, protesto e cansaço nas ruas face a estas deficiências democráticas”, acrescentaram, referindo-se às manifestações violentas que têm vindo a ser feitas principalmente em Barcelona ,desde a detenção há uma semana do ‘rapper’ Pablo Hasél por fazer a apologia do terrorismo.

A imagem do tenente-coronel Antonio Tejero Molina da Guardia Civil (correspondente à GNR portuguesa) a entrar há 40 anos no Congresso dos Deputados (câmara baixa do parlamento/Cortes) com uma pistola na mão à frente de quase 200 dos seus homens ficou na história de Espanha.

O golpe pretendia travar o processo de democratização espanhol iniciado com a morte do ditador Francisco Franco em 1975.

Para a história fica ainda o momento de glória de Juan Carlos, quando, pouco depois da meia-noite, vestido com o seu uniforme de comandante em chefe das Forças Armadas, fez um discurso solene de cerca de um minuto.

“A Coroa, símbolo da permanência e da unidade da pátria, não pode tolerar de forma alguma ações ou atitudes de pessoas que procuram interromper à força o processo democrático”, afirmou Juan Carlos na altura.

A partir desse momento, tornou-se claro que o golpe seria um fracasso, tendo os golpistas deposto definitivamente as armas ao meio-dia de 24 de fevereiro.

 

 

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