Carrie Symonds acusada de ser a “má influência n.º 1” de Boris Johnson

No centro de uma nova polémica, Boris Johnson pode ver a legitimidade no governo ainda mais enfraquecida com o iminente lançamento da biografia de Lord Ashcroft sobre Carrie Symonds, a mulher do primeiro-ministro.

Carrie Symonds acusada de ser a “má influência n.º 1” de Boris Johnson

No centro de uma nova polémica, Boris Johnson pode ver a legitimidade no governo ainda mais enfraquecida com o iminente lançamento da biografia de Lord Ashcroft sobre Carrie Symonds, a mulher do primeiro-ministro.

Extratos publicados do livro First Lady: Intrigue at the Court of Carrie and Boris Johnson acusam a mulher do primeiro-ministro de ser a “má influência número 1” no governo de Johnson. Carrie Symonds Johnson é acusada de “intrometer-se” – ao ponto de “literalmente ‘sussurrar’ ao ouvido de Johnson de vez em quando”. Um dos exemplos apontados inclui acusações de que ela estava envolvida na decisão de transportar animais para fora do Afeganistão enquanto funcionários do governo tentavam descobrir como salvar pessoas no aeroporto de Cabul durante a retirada do Reino Unido. Outra das polémicas veio retratada num relatório de Sue Gray, de acordo com quem Carrie tem responsabilidades em relação às reuniões realizadas em Downing Street, onde vive com o marido, durante o confinamento obrigatório.

Carrie está a impedir Boris Johnson “de liderar a Grã-Bretanha com eficácia”

Independentemente da escala das infrações de Carrie Johnson, descrevê-la como a “má-influência número 1” do governo também pode, convenientemente, ilibar o próprio primeiro-ministro. Paul Goodman, editor da Conservative Home, destacou uma citação particularmente contundente, ao escrever sobre a afirmação de Ashcroft de que “o comportamento de Carrie Johnson está a impedir o primeiro-ministro de liderar a Grã-Bretanha com a eficácia que os eleitores merecem”. A resposta de Goodman foi argumentar que independentemente de “a acusação ser ou não verdadeira, desvia-se do ponto principal, o de é sempre o primeiro-ministro, e não a mulher dele, que tem responsabilidades pelas decisões tomadas”.

Ao longo da história, são constantes os exemplos de mulheres de políticos em exercício questionadas sobre questões relacionadas com o seu papel e a sua influência nas decisões dos maridos. Em 1992, o presidente dos EUA, Bill Clinton, afirmou que ele e a mulher, Hillary, vieram um acordo de aparências: em que só um foi eleito, mas ambos lideraram o país. A influência de Hillary Clinton continuou, muito depois de terminado o mandato do marido. Tornou-se numa espécie de Teste de Rorschach sobre os papéis das mulheres em público em e privado. O que foi dito sobre ela revelou menos sobre a própria Clinton e mais sobre a amplitude dos valores da sociedade ocidental.

Surpreendentemente, as preocupações com a influência conjugal foram muito diferentes durante a campanha presidencial de Hillary. Na verdade, enquanto candidata à presidência dos EUA, foi muito mais atacada pela influência exercida uma década antes, nos mandatos do marido, do que propriamente sobre se tinha ou não capacidades para exercer o cargo de presidente em nome próprio. Hillary Clinton foi muitas vezes explicitamente comparada a um arquétipo – Lady Macbeth: feminista, sedutora e exploradora das falhas do herói para ganhar influência sobre ele.

Do lado oposto, o caso de Dennis, marido de Margaret Thatcher, ou Philip, marido de Theresa May, ambas primeiras-ministras britânicas. Comparemos a forma como Carrie e Philip são descritos no tipo de influência exercida sobre os cônjuges em exercício. Carrie Johnson é descrita no livro de Ashcroft como tendo o marido “completamente hipnotizado”, Philip May era a âncora da mulehr. May admitiu mesmo ter tomado a decisão de convocar uma eleição antecipada em 2017 durante um feriado passado na intimidade com Philip. Apesar das consequências catastróficas dessa votação, May enfrentou poucas questões vindas da opinião pública.

Ashcroft não chega a referir-se explicitamente ao exemplo de Macbeth – nem precisaria – no seu livro para transmitir a sua mensagem sobre Carrie Johnson. Aqueles que defendiam a mulher do primeiro-ministro, incluindo o ex-chanceler George Osborne, entenderam o seu significado e citaram a figura de Shakespeare. Até agora, sabemos que uma tentativa de centrar-se na influência de uma mulher de um político é referir-se implicitamente a essa ideia de Lady Macbeth, de William Shakespeare: feminista, sedutora e exploradora das falhas do herói para ganhar influência sobre ele.

Quanto mais a figura da primeira-dama como sedutora captura a imaginação do público, menos a história se centra em Boris Johnson, quem é verdadeiramente e único responsável pelas decisões sobre o resgate de animais no Afeganistão em detrimento de cidadãos britânicos e o incumprimento das regras de confinamento obrigatório. Os debates continuarão sobre se Carrie Johnson estava errada ou se ela é uma cidadã que não deve respostas aos eleitores do marido. É improvável que se chegue ao fundo da questão levantada no livro de Ashcroft a ser editado em breve: quanto do que ali se relata é ou não a verdade.

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