EXCLUSIVO | Segurança privado: «Casos de violência acontecem todas as noites, em Lisboa»

EXCLUSIVO | Segurança privado: «Casos de violência acontecem todas as noites, em Lisboa»

Segurança privado revela, em exclusivo à Impala, o outro lado da realidade da noite portuguesa.

Carlos Gualdino, um segurança privado, de 36 anos, partilhou vídeos, onde é possível ver-se cenas de violência na noite portuguesa, sem a intervenção de seguranças, que ocorreram nos últimos dias.

Após o caso de agressões extremas nas imediações do Urban Beach, levado a cabo por seguranças do estabelecimento, Carlos revelou o outro lado da realidade vivida por muitos profissionais deste ramo, sem querer, de qualquer maneira, desculpar os atos de violência brutal, que se deram no referido estabelecimento.

«O meu objectivo não é de desculpar as agressões que ocorreram no Urban. A única razão pela qual partilhei os vídeos foi de mostrar às pessoas a realidade da noite portuguesa. Mostrar que a violência não acontece só da parte dos seguranças. Que é algo que está bem presente em todas as noites em Lisboa, Porto e Algarve. E que, se calhar, não acontecem mais agressões porque nós (seguranças privados) não deixamos que aconteçam», começa por sublinhar o segurança.

Carlos trabalha há dois anos como segurança e já desempenhou funções «de norte a sul do país, em eventos, festivais e estabelecimentos». Em entrevista à Impala, Carlos quis salientar que «o que aconteceu no Urban foi um excesso cometido por três profissionais, mas que não pode representar milhares de profissionais que existem nesta área.

«O problema é que as pessoas têm uma imagem dos seguranças privados como se fossemos todos uns ‘bandidos’ ou que pertencemos a organizações criminosas».

Para Carlos existem certas questões que devem ser tidas em conta e repensadas, nomeadamente, uma maior atenção das forças policiais e uma maior colaboração entre as autoridades e os seguranças privados:

«Estes casos de violência acontecem todas as noites em Lisboa e 90% das agressões dão-se entre clientes, fora dos estabelecimentos, em zonas que não têm policiamento. Mas a culpa também não é inteiramente da polícia, porque ninguém consegue evitar situações se não tiver presente», começa por explicar.

Neste sentido, o segurança privado apela a «uma maior colaboração por parte das entidades policias em sinergia com as empresas de segurança privada», referindo que de momento, «o que existe é uma rivalidade muito grande entre ambos».

Carlos mencionou também, as situações, por vezes, de risco que os seguranças enfrentam, especialmente, quando têm de lidar com grandes grupos de pessoas agressivas, alteradas ou armadas.

«Quando um segurança é agredido por um cliente e chama a polícia, não acontece nada e ninguém fala nisso. Mas quando é um cliente, a ser agredido, a polícia automaticamente identifica o segurança, independentemente se este atuou em legitima defesa ou não.»

«Nunca tive nenhuma ordem de nenhum estabelecimento para iniciar qualquer cena de agressão»


No que diz respeito às relações entre os seguranças e os estabelecimentos, Carlos afirmou que, na sua experiência, nunca foi incentivado à violência e «felizmente» nunca presenciou nenhum colega a «exceder-se ou a ter um comportamento agressivo».

«São as casas que nos dão as ordens de quem pode ou não entrar. E, por vezes, são as próprias casas que quebram as normas. Existem estabelecimentos que permitem que clientes, que já estavam identificados por comportamentos de risco entrar. Esta situações verificam-se, geralmente, quando existem dificuldades financeiras. Os seguranças são os que colocam a vida em risco e são sempre os mais criticados», explica.

«De baixo da farda existe um ser humano»

Por último, Carlos atribui ao abuso do consumo de álcool e drogas a maior causa de atos de violência na noite. E relembra que os seguranças privados «zelam, acima de tudo, pelo bem-estar das pessoas».

«Os seguranças não são criminosos. O nosso trabalho é garantir que nada de mal acontece a ninguém sob o nosso turno».

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