Trabalhadores criticam propostas salariais da IP e falam em imposição

A Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans) criticou hoje as propostas apresentadas pela administração da Infraestruturas de Portugal, falando em “imposição” e em redução do “salário real”.

Trabalhadores criticam propostas salariais da IP e falam em imposição

Num comunicado, hoje divulgado, a organização disse que “no seguimento das ordens emanadas do Governo, a administração da IP, apresentou-se hoje na mesa de negociação não com uma, não com duas, não com três, mas com cinco opções de atualização dos salários”, lamentando que todas signifiquem “a redução do salário real dos trabalhadores”.

“Estamos a assistir não a um processo de negociação, mas a uma imposição do Governo de orientações para as administrações, com valores abaixo da inflação de 2023 que foi de 4,3%, enquanto as rendas aumentaram 6,94% e quando os trabalhadores estão sujeitos a um aumento brutal das taxas de juro”, criticou a Fectrans.

Segundo a entidade, o Governo “determinou e mandou publicar ‘o tamanho do bolo’, que é muito pequeno, e agora quer que as organizações sindicais façam a sua distribuição pelo mal menor”, realçando que “todos, sem exceção, ficam prejudicados”.

De acordo com a Fectrans, todas a opções “têm em comum a fixação do salário mínimo em 900 euros, o que abrange uma fatia muito pequena de trabalhadores”.

De resto, as propostas da IP, disse a Fectrans, são as seguintes: aumento de 3,5% para todos; de 58 euros para todos; de 2,70% e 9,60 euros de subsídio de refeição (+1,28 euros); de 3% e 9,20 euros de subsídio de refeição (+1,08 euros).

Por último, segundo a organização sindical, a IP propôs 9,30 euros de subsídio de refeição (+1,18 euros) e atualizações que passariam por: para salários até 1.000 euros, de 5%; para salários de 1.000 euros a 1.500 euros, de 3,5%; para salários de 1.500 euros a 2.000 euros, de 3% e para salários acima de 2.000 euros, de 2%.

“Além de ficarem aquém da inflação e do crescimento das rendas e taxas de juro, encolhe a diferença” relativamente ao salário mínimo nacional, lamentou.

No que diz respeito à fixação do salário mínimo na empresa em 900 euros, que a Fectrans diz ser “um passo positivo embora insuficiente” sem “que os outros cresçam na mesma proporção”, isso “tem o efeito de achatamento da grelha salarial”.

“É preciso o crescimento significativo do salário e a redução do horário de trabalho e por isso, é necessário um verdadeiro processo negocial e não a imposição com que estamos confrontados”, criticaram.

No dia 18 de janeiro, as organizações que participam neste processo irão reunir para “analisar o que cada uma pensa das propostas da administração/Governo e decidirem da possibilidade de convergência de posições”, rematou a federação.

Nos últimos dias, uma greve dos trabalhadores de operação, comando, controlo, informação, gestão de circulação e conservação ferroviária da IP, convocada pela Aprofer – Associação Sindical dos Profissionais do Comando e Controlo Ferroviário, levou à supressão de centenas de comboios da CP. 

 

ALN // MSF

By Impala News / Lusa

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