São Brás de Alportel: Criança com autismo excluída de festa escolar

Bernardo, de 10 anos, foi excluído da festa de final de ano. Fábia Sousa, a mãe do menino, relata episódio de discriminação no Agrupamento de Escolas José Belchior Viegas, em São Brás de Alportel.

São Brás de Alportel: Criança com autismo excluída de festa escolar

São Brás de Alportel: Criança com autismo excluída de festa escolar

Bernardo, de 10 anos, foi excluído da festa de final de ano. Fábia Sousa, a mãe do menino, relata episódio de discriminação no Agrupamento de Escolas José Belchior Viegas, em São Brás de Alportel.

O Bernardo tem 10 anos, adora a escola e os colegas de turma e está integrado no mesmo grupo desde o primeiro ano. Até agora, a mãe do menino não tinha “qualquer razão de queixa da escola”, mas o cenário mudou na semana passada. A Escola nº1 do Agrupamento José Belchior Viegas, em São Brás de Alportel, organizou uma festa de final de ano, pensada para os finalistas do 4º ano – grupo frequentado pelo pequeno Bernardo – mas não o incluiu nas festividades.

A denúncia foi feita por Fábia Sousa, a mãe do menino, nas redes sociais e o post foi partilhado vezes sem conta. “Não podia ficar calada. Estas situações têm de ser denunciadas para que não voltem a acontecer com nenhuma criança especial”, explicou ao Impala News.

Muito bom dia a todos….Resolvi fazer esta publicação pk ontem o meu filho passou por uma situação inadmissível.Pra…

Publié par Fabia Sousa sur samedi 24 juin 2017

Fábia foi contactada pela professora para saber se o filho iria marcar presença na escola, depois dos já muitos ensaios efetuados. “Disse logo que sim porque o Bernardo está muito bem integrado e estes momentos fazem-lhe muita falta. Troquei de horário com uma colega do trabalho para o poder levar”, contou. Na chegada ao local, o Bernardo foi muito bem recebido por todos. “Os colegas saíram logo dos lugares para lhe darem beijinhos e estavam todos felizes por ver o Bernardo”, sublinhou Fábia.

“Percebi, naquele momento, que o meu filho tinha sido excluído”

Segundo afirma a mãe, a alegria foi quebrada no momento da apresentação em palco da turma do 4º ano. “Foram todos ao palco, menos o Bernardo que ficou sentado a bater palmas ao som da música. Percebi, naquele momento, que o meu filho tinha sido excluído”, avançou.

Revoltada com a situação, Fábia questionou a professora, que lhe terá tido que “o Bernardo não seria capaz de fazer a coreografia”. “Tenho noção das limitações do meu filho. Ele não fala e tem muitas dificuldades, mas deveria ter estado no palco com os amigos, nem que fosse para bater palmas. Fiquei revoltada. Que sociedade é esta que teima em não aceitar um miúdo que não tem maldade nenhuma? O meu filho merecia mais”, desabafou.

Bernardo não percebeu que tinha sido excluído, mas sentiu o nervosismo da mãe. “Ele não tem noção do que se passou, ficou muito agitado com o meu nervosismo”, explicou Fábia Sousa, relembrando que “este foi o primeiro episódio de exclusão naquela escola”, mas não o primeiro na vida do Bernardo. “Na pré primária as coisas correram muito mal e ele era constantemente posto de parte, mas nesta escola tudo estava a correr bem”, concluiu.

O Impala News entrou em contacto com o  Agrupamento  de Escolas José Belchior Viegas, mas até ao momento não foi possível obter qualquer reação à denúncia de Fábia Sousa.

Texto: Cynthia Valente / fotos: Facebook

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