Tiroteio na discoteca Dock's: «Se a PSP não tivesse intervindo podia ter havido um banho de sangue»

Tiroteio na discoteca Dock’s: «Se a PSP não tivesse intervindo podia ter havido um banho de sangue»

Vítor Ferreira, proprietário do Dock’s, explicou ao Portal de Notícias Impala como se deu o tiroteio na discoteca, no passado sábado

«Estava dentro da discoteca quando ouvi o primeiro tiro. Naquele momento, até achei que era da nossa máquina de serpentinas, porque aquilo dá um grande estalo. Quando ouvi outro [tiro] percebi que alguma coisa não estava bem. Fui ver o que se passava e assisti a esta infeliz situação», começa por contar ao nosso site Vítor Ferreira, proprietário da discoteca Dock’s, que estava no estabelecimento de diversão nocturna quando um jovem «começou aos tiros» no meio da pista, na madrugada do passado sábado, dia 2 de fevereiro .

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O cliente, de 22 anos, que acabou por não vitimar ninguém, foi detido pela PSP que se encontrava a passar pelo local, por acaso, na hora do incidente, explica o empresário. «Se a PSP não tivesse intervido podia ter havido um banho de sangue», garante o dono do estabelecimento situado na zona de Alcântara, em Lisboa. Contudo, de acordo com fontes policiais, um alerta relativo à ocorrência foi dado às autoridades por volta das 6h30 que terão chamado reforços para o local das esquadras da Lapa, Alcântara e Campo de Ourique.

Depois de ter sido levado pela PSP, o suspeito esteve presente no Tribunal de Pequena Instância Criminal durante a manhã desta segunda-feira e ficou em liberdade enquanto o processo se desenrola. O arguido foi apenas acusado do crime de posse de arma proibida.

«Nada fazia prever uma coisa desta»

Vítor Ferreira esclarece que não houve nada no comportamento do jovem, durante a noite, que pudesse ter denunciado o tiroteio. O proprietário, que foi apurar pormenores sobre o que se passou naquela madrugada junto dos seus sete seguranças, foi informado que o suspeito não era cliente habitual do estabelecimento e que apenas tentou, a meio da noite, entrar na zona VIP da discoteca. «Como não tinha pulseira» o acesso àquela área foi-lhe negado.

«Nada fazia prever uma coisa desta. Um segurança apenas não o deixou entrar na zona VIP. Mas a pessoa nem foi a agressiva nem nada. Não se passou nada de mal», salienta.

«Não sei se foi pelo efeito do álcool ou alguma coisa que o rapaz ingeriu as bebidas que o afectou. De repente, o jovem saiu da discoteca foi buscar duas armas ao carro, interpelou o porteiro e este, claro, que não tinha outra opção a não ser deixá-lo entrar», conta.

«Houve um segurança que o seguiu e ele [agressor] disparou um tiro para os pés desse segurança»

O proprietário do bar discoteca com seis bares e três zonas privadas recorda que, após ter entrado no Dock’s Club, o jovem armado disparou contra um segurança que o seguiu. Porém, o agressor não acertou em ninguém. «Depois, começou no meio da discoteca aos gritos e a disparar tiros para o tecto», afirma.

Um cliente que se encontrava alcoolizado terá tentado falar com jovem com o objectivo de o chamar à razão e de o acalmar. O cliente acabou por ser agredido. «Ele deu-lhe com a arma na cara e abriu-lhe sobreolho. A vítima foi assistida num hospital e acho que já participou a agressão à PSP», acrescenta.

Após a agressão, um dos seguranças considerou que o jovem estava distraído e atirou-se para cima dele com o intuito de o imobilizar. «Nisto, alguns clientes foram em auxilio do segurança. Naquele momento, vinha a passar uma carrinha da PSP da polícia de intervenção que ouviu os tiros e entrou dentro da discoteca. A PSP controlou a situação e evitou que ocorressem danos mais graves», desabafa.

«Mais um minuto ou dois e a situação tinha sido muito mais grave»

Vítor Ferreira destaca ainda que está extremamente grato à «intervenção pronta da polícia» e que também não tem palavras para «a corajosa atuação» do segurança que tentou imobilizar o suspeito. No entanto, o dono do Dock’s destaca que se a PSP não tivesse passado naquela zona ou se tivesse chegado mais tarde, que o final de todo aquele incidente podia ter sido muito mais trágico.

Neste sentido, o responsável revela que estas situações são imprevisíveis e que a única solução que vê, para impedir ou diminuir estas ocorrências de risco, é através da contratação de gratificados – serviços remunerados prestados pela PSP ou GNR a entidades e estabelecimentos. Contudo, Vítor Ferreira diz que não consegue contratar os serviços das autoridades para esta «zona poupo protegida».

«Já várias vezes interpelei a polícia para ter aqui gratificados. A polícia é que me diz que não tem homens disponíveis para fazer esse tipo de trabalho. É que os polícias estão armados [os seguranças privados não têm autorização para terem uma]. Disponibilizarem gratificados. A simples presença de polícias fardados seria o suficiente para evitar grande parte das situações de risco».

O Portal de Notícias Impala confrontou a PSP com a declarações prestadas pelo proprietário, mas ainda não obteve qualquer resposta.

Texto: Mafalda Tello Silva – Redação WIN – Conteúdos Digitais

 

 

 

 

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