Nome de Eunice Muñoz “ecoa em cada espaço” do Teatro Nacional D. Maria II

O nome de Eunice Muñoz “ecoa em cada espaço” do Teatro Nacional D. Maria II, escreve a instituição que acolheu a estreia da atriz, há 80 anos, numa longa mensagem publicada na página oficial da rede social Facebook.

Nome de Eunice Muñoz

Nome de Eunice Muñoz “ecoa em cada espaço” do Teatro Nacional D. Maria II

O nome de Eunice Muñoz “ecoa em cada espaço” do Teatro Nacional D. Maria II, escreve a instituição que acolheu a estreia da atriz, há 80 anos, numa longa mensagem publicada na página oficial da rede social Facebook.

“As palavras que não queríamos escrever. O dia que não queríamos que chegasse. Eunice Muñoz partiu. Hoje é o dia zero. Porque há um antes e um depois de Eunice, não só no Teatro Nacional D. Maria II, como também no teatro português”, prossegue a mensagem, acompanhada de várias fotografias da atriz, no papel de diferentes personagens, no palco da instituição.

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Na página do teatro que criou uma rede com o seu nome – Rede Eunice – para levar a sua programação às mais afastadas e distintas cidades do país, Eunice Muñoz regressa de novo como em algumas das suas principais personagens, como Zerlina, de Hermann Broch, Fedra, de Racine, Mãe Coragem, de Brecht, e como Eunice Muñoz, ela mesma, aplaudida no final de “Passa por Mim no Rossio”, o musical de que foi uma das principais intérpretes, exatamente no D. Maria, em 1991.

“Eunice Muñoz tinha apenas 13 anos quando pisou, pela primeira vez, o palco do Rossio”, recorda o teatro. “Mas, incrivelmente, a sua carreira já havia começado anos antes quando aos cinco anos começa a encarar o público na pequena companhia teatral ambulante da sua família, Troupe Carmo, da qual faziam também parte os seus avós e as suas tias. Na sua participação, costumava cantar alguns êxitos dos anos 30”.

“Alguns anos mais tarde, em 1941, acontece o momento que marca a vida profissional de Eunice Muñoz e que dá início à impressionante contagem dos seus 80 anos de carreira: consegue o primeiro papel no teatro profissional e estreia-se a 28 de novembro desse ano, em ‘Vendaval’, de Virgínia Vitorino, com encenação de Amélia Rey Colaço e Robles Monteiro, na maior e mais prestigiada companhia daqueles tempos”, destaca o D. Maria.

Segundo o teatro nacional, “começava, a partir desse momento, uma das mais intensas e prolíficas carreiras da história do teatro português. No teatro, no cinema e também na televisão, do drama à comédia, Eunice Muñoz deu vida a dezenas de personagens, foi dirigida e contracenou com todos os grandes nomes, pisou os principais palcos de teatro, foi reconhecida pelos seus pares, aclamada pelo público, premiada com inúmeros galardões e agraciada com as mais altas distinções”.

“Oitenta anos de carreira não cabem em palavras. No Teatro Nacional D. Maria II, o seu nome ecoa em cada espaço. Eunice Muñoz deixa uma miríade de memórias. Hoje, relembramos com especial emoção o dia 28 de novembro passado, em que se assinalaram os 80 anos da sua carreira, e em que se despediu dos palcos, acompanhada da sua neta Lídia Muñoz”, lê-se na mensagem, sobre o seu desempenho em a “A margem do tempo”, do alemão Franz Xaver Kroetz, o derradeiro trabalho da atriz em palco.

Eunice Muñoz, que também deixa o seu legado “através de iniciativas como a Rede Eunice Ageas, projeto de digressão nacional que ‘amadrinhou'”, para que o teatro chegue “a locais onde a sua oferta é escassa ou irregular (…), deixa-nos o seu tempo, o exemplo da sua vida e o seu talento, que é já farol para as futuras gerações de artistas”, prossegue o Nacional. “Hoje é o dia zero. Amanhã, continuamos seguindo inspirados por ela, um dos nomes maiores do nosso teatro, da nossa história. Eunice Muñoz”, conclui a mensagem do Teatro D. Maria, que tem no encenador e dramaturgo Francisco Penin, o seu diretor artístico. Eunice Muñoz morreu hoje, no Hospital de Santa Cruz, em Lisboa, aos 93 anos.

O seu percurso, no teatro, soma mais de 120 peças, em perto de três dezenas de companhias. No cinema e na televisão, o seu nome está associado a mais de 80 produções de ficção, entre filmes, telenovelas e programas de comédia. Recebeu mais de uma dezena de prémios, seis condecorações oficiais, que culminaram na Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, em 2021. Em 1990, foi-lhe atribuída a Medalha de Mérito Cultural. O Governo anunciou hoje que vai decretar luto nacional, no dia do funeral da atriz.

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