Família de estudante assassinado no Porto quer indemnização de 535 mil euros

A família do estudante que morreu na sequência de agressões sofridas na madrugada de 10 de outubro de 2021, na baixa do Porto, pede 535 mil euros de indemnização ao jovem francês acusado de ser o autor do homicídio.

Família de estudante assassinado no Porto quer indemnização de 535 mil euros

A família do estudante que morreu na sequência de agressões sofridas na madrugada de 10 de outubro de 2021, na baixa do Porto, pede 535 mil euros de indemnização ao jovem francês acusado de ser o autor do homicídio.

O valor do pedido de indemnização cível, apresentado pela defesa dos pais de Paulo Correia, 23 anos, que se constituíram assistentes no processo, foi avançado hoje à agência Lusa por fonte judicial, acrescentando que visa apenas o principal arguido, Anas Kataya, 22 anos, que se encontra em prisão preventiva, acusado de homicídio qualificado e de ofensas à integridade física qualificada.

Na segunda sessão de julgamento, que decorre no Tribunal de São João Novo, no Porto, prestou declarações, durante a tarde de hoje, o outro arguido no processo, Jean Paul Jelali, também de nacionalidade francesa, acusado de ofensas à integridade física qualificada, e que se encontra em liberdade. Num depoimento confuso e, por vezes contraditório, o que irritou e levou o coletivo de juízes a advertir o arguido, este contou ao que, nessa noite, o objetivo era o de seguirem para uma discoteca, na zona de Passos Manuel, na baixa portuense.

A caminho do espaço de diversão noturna, explicou, ficou para trás para falar com uma jovem e, quando se aproximou da discoteca, viu Anas Kataya e um terceiro elemento que os acompanhava, “rodeados” por várias pessoas, e depois no chão, um deles a ser agredido.

Segundo a versão do arguido, posteriormente, disse “ter visto uma pessoa no chão [que se confirmou ser a vítima mortal]”, pensando que o mesmo se “estaria a sentir mal e desmaiado”, acrescentando que, à semelhança de Anas kataya, foi impedido pelos seguranças da discoteca de se aproximar do local. O arguido relatou ainda um segundo episódio de confrontos entre Anas Kataya e elementos do primeiro grupo que, alegadamente, os tinham agredido anteriormente.

Principal arguido negou qualquer envolvimento no crime

Jean Paul Jelali contou que, “para cessar” os confrontos, pegou numa garrafa de cerveja de litro e, pelas costas, assumiu que a partiu na cabeça de um dos envolvidos. Sobre a morte de Paulo Correia, que foi basquetebolista do Guifões Sport Clube, concelho de Matosinhos, distrito do Porto, disse nada saber, nem ter visto o amigo e principal arguido Anas Kataya envolvido com a vítima mortal.

O julgamento prossegue na quarta-feira, todo dia, com a inquirição das primeiras testemunhas, nomeadamente de inspetores da Polícia Judiciária, de seguranças da discoteca e de amigos da vítima mortal, envolvidos nos desacatos.

Na primeira sessão de julgamento, que decorreu na segunda-feira, o principal arguido negou qualquer envolvimento no crime, acrescentando nunca ter visto a vítima. O despacho de acusação do Ministério Público (MP) conta que, na madrugada de 10 de outubro de 2021, junto a um estabelecimento de diversão noturna, na zona de Passos Manuel, “enquanto aguardavam pela entrada no local, gerou-se uma troca de palavras entre um grupo de cidadãos portugueses, onde se encontravam os três ofendidos, e três mulheres de nacionalidade francesa”.

Segundo o MP, “as três mulheres afastaram-se momentaneamente do local, indo ao encontro dos dois arguidos, também franceses, os quais, sabendo do desentendimento, vieram na direção do grupo [onde estava o estudante Paulo Correia], com o único propósito de agredir os seus elementos”.

“Um dos arguidos [Anas Kataya], ao alcançar um dos ofendidos, desferiu-lhe murros e socos no rosto e na cabeça e, de seguida, foi no encalço da vítima mortal, tendo-lhe desferido, com grande violência, um murro na zona da cabeça”, descreve a acusação, sublinhando que a vítima foi a cambalear até junto de uma viatura ali estacionada, na qual embateu, “caindo ao chão, ali ficando prostrada”.

O outro arguido [Jean Jelali], de acordo com o MP, “foi na direção do terceiro ofendido e deferiu-lhe um murro, fazendo-o cair no chão, após o que ainda o pontapeou no tórax”.

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