A lutar contra um cancro, Isaura faz desabafo emocionante

Isaura, de 30 anos, está a lutar contra um cancro na mama desde o início do ano.

A lutar contra um cancro, Isaura faz desabafo emocionante

A lutar contra um cancro na mama desde o início do ano, Isaura fez um desabafo esta quinta-feira, dia 23 de abril. Na sala de tratamentos do hospital, a cantora diz que se tivesse tido escolha «preferia não ter cancro e não saber o nome de certos medicamentos» mas, por outro lado, foi a doença que a permitiu perceber o «quão fortes as pessoas são».

Num texto emocionante e impressionante, Isaura faz saber ainda que é «sempre (ou quase sempre) a mais nova» das pessoas que encontra nas salas onde faz tratamento.

«Da sala de tratamento – Se me tivessem perguntado se queria ter cancro evidentemente que escolhia, assinava e lacrava o contrato de não ter. Quando penso sobre isto vem-me sempre à cabeça aquela cena do Scary Movie em que ela vai a fugir e se depara com e por esta ordem: uma banana, uma bomba, uma faca militar, uma faca de cozinha e uma pistola. Rio-me sempre como se tivesse ficado condenada à banana; do género, se escolhi fiquei claramente com a banana! Voltando ao assunto: preferia não ter cancro e não saber o nome de certos medicamentos. Mas no segundo em que jogo sozinha e na minha cabeça ao “Preferias” também pondero que se esta fava não me tivesse calhado não saberia quão fortes as pessoas são. Mas fortes de verdade, na realidade!, não fortes na superfície epidérmica da palavra; fortes mesmo. E não falo de mim, falo das pessoas com o dobro e quase triplo da minha idade que me acenam do outro lado da sala porque sou sempre (ou quase sempre) a mais nova que por aqui passa», começa por dizer  na legenda de uma fotografia publicada na conta de Instagram.

«A vida é uma coisa muito diferente daquilo que se vê nos nossos telefones, é muito mais do que a curadoria com que vestimos os nossos feeds. A vida são estas pessoas rijas que se introduzem umas às outras com as maleitas – porque é isso que as une – e que passadas três frases se dão a conhecer com tanta comoção. Falam da terra onde cresceram, dos ofícios que aprenderam e dos planos que ainda hão-de realizar. Aprendo muito só a observar», termina.

A primeira sessão de quimioterapia e o apelo aos portugueses

A vencedora do Festival RTP da Canção de 2018, recorreu à batalha contra o cancro da mama, que empreende desde o início deste ano, para alertar para a importância de seguir os conselhos do Governo, que apelou ao isolamento social por causa da Covid-19.

Com uma fotografia em que se mostra careca, Isaura começa por dizer que não consegue traduzir em palavras «o que sente quando se está a lutar pela vida com unhas e dentes e se vê determinados comportamentos com os quais temos de coexistir em impotência».

Segue-se um testemunho potente, no qual faz alusão à primeira sessão de quimioterapia que fez. «Fui bafejada em tabaco alheio precisamente à porta; senti-me zangada por tentar caminhar na cidade universitária [de Lisboa] cheia de efeitos secundários e a recuperar de um hemopneumotórax uns dias antes (afinal o meu cartoon sobre o implantofix e deixarem-me cair era uma premonição ao estilo Simpsons) e não conseguir sentir oxigénio no ar, só uma coisa turva e densa que vem da segunda circular; senti-me incrédula já várias vezes na estrada com condutores que claramente se estão a borrifar para a possibilidade de mandarem com a cara num muro impenetrável», descreve.

Texto: Inês Marques Fernandes

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