Fernando Rocha acusado de xenofobia após piada sobre mulheres brasileiras

Fernando Rocha fez comentários “xenófobos e misóginos contra mulheres brasileiras.” O humorista é acusado tanto pelo Coletivo Maria Felipa como pela organização feminista Capazes, da qual fazem parte Rita Ferro Rodrigues, Iva Domingues e Carolina Deslandes.

Fernando Rocha acusado de xenofobia após piada sobre mulheres brasileiras

Fernando Rocha fez comentários “xenófobos e misóginos contra mulheres brasileiras.” O humorista é acusado tanto pelo Coletivo Maria Felipa como pela organização feminista Capazes, da qual fazem parte Rita Ferro Rodrigues, Iva Domingues e Carolina Deslandes.

Fernando Rocha publicou um vídeo nas redes sociais e é acusado de comentários “xenófobos e misóginos contra mulheres brasileiras.” Tanto a associação antirracista, Coletivo Maria Felipa, como a organização feminista Capazes mostraram a sua revolta para com as palavras proferidas pelo humorista.

O Coletivo Maria Felipa recorreu às suas plataformas digitais para condenar os comentários proferidos pelo também ator da SIC nesse mesmo vídeo, que foi publicado no dia 15 de dezembro de 2020 e que entretanto foi apagado, através de uma “nota de repúdio”.

Na mesma, a associação explica o conteúdo do vídeo: “Fernando Rocha afirma que mulheres brasileiras podem ser ‘identificadas’ por possuírem ‘características próprias no corpo’, sendo essas o ‘rabo grande e as tetas herdadas do pai’. Em seguida, reforçando o conteúdo humilhante da ‘piada’, o comediante sugere que as brasileiras ‘passem papel higiénico nas mamas, já que havia funcionado com o rabo.'”

“No vídeo, Fernando Rocha diz ainda que não é necessário que mulheres brasileiras se identifiquem, bastando uma análise da sua forma física. Enquanto mulheres brasileiras, questionamos qual seria a necessidade ou função social de nos identificarem em ambientes públicos, especialmente através da análise de nossos corpos? Seja como mulheres ou como imigrantes, reivindicamos o igual direito de ocupação dos espaços públicos para com quaisquer outras pessoas. Homens ou não. Nacionais ou não. Estarmos em espaços públicos não torna os nossos corpos públicos”, pode ler-se ainda.

“Repudiamos as declarações xenófobas de Fernando Rocha”

A organização antirracista assumiu entender e defender a importância da liberdade de expressão, “especialmente no que toca à produção humorística”, mas reforçou a importância de esta liberdade exigir responsabilidade social para com a mensagem que está a ser transmitida. “No caso de ser o comunicador uma figura pública largamente reconhecida, responsabilidade social com o público que a recebe”, explicou, para depois referir que Fernando Rocha tem um vasto número de seguidores nas redes sociais e, por isso, as mensagens que transmite têm um grande alcance, sendo assim maior a responsabilidade nas mensagens que são transmitidas.

“Quando Fernando Rocha usa o seu espaço, renome, alcance e influência na sociedade portuguesa para reforçar estigmas que marcam e ferem os corpos das mulheres brasileiras, conectando a objetificação hiperssexualizada à nossa origem nacional, ajuda a alimentar a cultura machista e xenófoba que põe em causa a segurança de mulheres brasileiras em Portugal. É através da ridicularização e banalização das características que nos fazem corpos duplamente vulneráveis. Primeiro por sermos mulheres e, segundo, por sermos imigrantes, que tais estigmas contribuem para a manutenção de ideologias machistas que naturalizam, potencializam ou mesmo se tornam em atos de violência contra mulheres brasileiras”, reforçou.

Para o coletivo, a “piada” de Fernando Rocha “ultrapassa a linha da liberdade de expressão e passa a ser uma questão de violência simbólica e discursiva que perpetua a discriminação e opressão das mulheres, especialmente mulheres brasileiras, em Portugal.”

“Repudiamos as declarações misóginas e xenófobas do comediante Fernando Rocha, apela à retratação pública por parte do mesmo e convidamos toda a comunidade brasileira, portuguesa e imigrante que luta por um mundo livre de discriminações, preconceitos e opressões a co-assinar e divulgar esta carta aberta”, findou.

A mensagem for partilhada pela organização Capazes, da qual fazem parte Iva Domingues, Leonor Poeiras, Clara de Sousa, Carolina Deslandes, Rita Ferro Rodrigues, entre outros rostos conhecidos.

Texto: Mafalda Mourão; Fotos: Redes Sociais

 

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