Covid-19: Nova vaga de coronavírus ameaça Europa

A vacinação é o principal determinante para que um país consiga manter o número de casos de covid-19 baixo e Portugal está no bom caminho.

Covid-19: Nova vaga de coronavírus ameaça Europa

Covid-19: Nova vaga de coronavírus ameaça Europa

A vacinação é o principal determinante para que um país consiga manter o número de casos de covid-19 baixo e Portugal está no bom caminho.

A quarta vaga da pandemia de coronavírus está a propagar-se na Europa, com poucos países poupados a um aumento preocupante de casos de covid-19. A vacinação em massa, aparentemente, é essencial – mas insuficiente – para conter a propagação do vírus, que prospera no outono e no inverno. Os países que relaxaram amplamente as restrições ao distanciamento social durante o verão estão agora a considerar a reintrodução de medidas para conter o aumento de casos e de hospitalizações.

A vacinação “resolve parte do problema, mas não todo”, considera Hajo Zeeb, professor de epidemiologia da Universidade de Bremen. Embora a vacinação proteja contra a infecção, não é à prova de erros. Igualmente preocupante é a diminuição da imunidade, que leva os países a adotarem vacinas de reforço. “Até os cidadãos estão a perceber que não está tudo acabado”, diz.

O jornal POLITICO analisou os números relativos a vacinação, novos casos, hospitalizações e mortes em toda a União Europeia e no Reino Unido. O quadro é misto, embora a penetração da vacinação seja o principal fatos determinante para saber se a pandemia pode ser contida com sucesso. Uma abordagem inteligente para medidas como requisitos de máscara facial em ambientes lotados e ‘passaportes’ de vacinas são um diferenciador importante.

Novos focos de covid-19 no oriente europeu

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Numa extremidade do espectro, um grupo de países alcançou altas taxas de vacinação tanto das populações adultas quanto de crianças em idade escolar. No topo está Portugal, que conseguiu conter infecções, hospitalizações e mortes em níveis baixos. Na outra extremidade estão os países que enfrentam os piores surtos desde o início da pandemia, na primavera de 2020. Com apenas uma fração da população adulta vacinada, a covid-19 está a espalhar-se como um incêndio na Bulgária e na Roménia, provocando o colapso dos seus sistemas de saúde.

Vacinação na Europa

Acima do esperado

O sucesso das campanhas de vacinação em países como Portugal, Malta e Espanha – onde 80 por cento ou mais da população foi totalmente vacinada – traduz-se diretamente em novos casos, mortes e hospitalizações muito mais baixos.

Podiam ter feito melhor

Países como Reino Unido, Alemanha e Áustria alcançaram taxas de vacinação na faixa dos 60 a 70 por cento – não o suficiente para impedir o aumento de novos casos. O relaxamento das restrições no Reino Unido também foi um poderoso impulsionador de novas infecções.

A ficarem para trás

As três nações bálticas e alguns países da Europa Central, como a Eslovénia, estão a enfrentar algumas das taxas mais altas de novos casos diários por milhão de pessoas. As taxas de vacinação à volta dos 50 por cento deixaram muitas das suas populações desprotegidas do vírus e hospitalizações e mortes são muito mais altas do que as dos vizinhos ocidentais.

Os perdedores

Os dois países que mais ficaram para trás em termos de vacinação são a Bulgária e a Roménia. Sistemas de saúde sobrecarregados contribuíram para a tempestade perfeita que levou à atual vaga do vírus, que está a registar níveis de hospitalização preocupantemente altos.

Cobertura de vacinação superior

Estamos diante de uma “epidemia de não vacinados”, considera Zeeb, citado pelo POLITICO. Os números ilustram a declaração no grupo ‘Acima do Esperado’, com muito poucos casos novos por milhão de habitantes. A eficácia da vacinação na prevenção de mortes é altamente tranquilizadora. Os ‘Perdedores’, Roménia e Bulgária, têm a menor proporção de pessoas totalmente vacinadas e novas mortes diárias que excedem em muito qualquer outro país da UE. Estes números ecoam na hospitalização e na ocupação dos internamentos em Unidades de Cuidados Intensivos. “A melhor preparação para a quarta vaga teria sido uma campanha de vacinação eficaz”, afirma ao POLITICO Ioana Mihăilă, ex-ministra da Saúde da Roménia.

“Toda a Europa está a enfrentar um aumento na pressão da pandemia – no Leste Europeu, onde a taxa de vacinação é muito menor do que no Ocidente, o impacto sanitário é real e intenso”, disse na terça-feira, 26 de outubro, o ministro da Saúde francês, Olivier Véran. Noutros lugares, as condições climáticas e a propagação de um subtipo mais infeccioso da variante Delta do coronavírus estavam a causar infecções, o que motivou Véran a acrescentar que “temos todos os motivos para estar vigilantes”.

Zeeb teme que os sistemas de saúde não consigam lidar com outra vaga. Disse que a situação “extraordinária” do ano passado não pode repetir-se, pois há preocupações de que os sistemas de saúde não serão capazes de lidar novamente.

Distanciar o número de infeções do de hospitalizações

Embora a vacinação não seja a solução total – porque não bloqueia completamente a transmissão – é agora claro que pode prevenir doenças graves e morte. Os dados do Reino Unido, em particular, são reconfortantes. A Grã-Bretanha viu os casos dispararem e, embora as taxas de hospitalização estejam a escalar, não sobem tanto quanto nas vagas anteriores. Em grande parte da Europa Ocidental, onde os casos estão igualmente a disparar, é um pouco cedo para dizer se as hospitalizações terão tendência acentuada para o aumento. Por enquanto, as hospitalizações estão distantes das novas infecções.

Embora as novas infecções possam ser em número ainda mais elevado do que no outono e inverno passados, “não são certamente maiores no números de hospitalização”, assinala Zeeb. “Qual é a boa notícia? O efeito positivo das vacinações”, conclui.

Vacinação entre os jovens

Um dos principais vetores impulsionadores de novas infecções tem ocorrido entre os jovens. Deepti Gurdasani, epidemiologista da Queen Mary University London, aponta que, quando as escolas reabriram no Reino Unido, os altos níveis de transmissão na comunidade resultaram num “crescimento explosivo” no número de casos.

Entre os países com dados disponíveis, os que têm poucos casos novos, como Portugal e Espanha, também têm taxas de vacinação que chegam a 30 por cento entre os menores de 18 anos. Bulgária e Roménia têm taxas que não chegam a 4 por cento. Croácia, Eslovénia, Eslováquia e Grécia têm taxas abaixo de 10 por cento e enfrentam também picos acentuados de infecção.

O progresso da vacinação

Perante os dados sobre casos, mortes e hospitalizações, as taxas gerais de vacinação reforçam a importância de os países atingirem não só níveis aceitáveis de vacinação, mas, antes, taxas que excedam 80%. Quanto ao que o futuro pode trazer, Zeeb vê o coronavírus a caminhar mais tarde ou mais cedo para uma situação endémica na Europa. “Talvez, quando chegar a primavera, o que diminui os números sempre os números, teremos mais vacinações e provavelmente mudamos para a imunidade de grupo em algumas zonas, devido à vacinação e às infecções que ocorreram”, prevê.

Foto: Anastasia Nelen

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