João Gonzalez

A minha gruta tailandesa – A opinião de João Gonzalez

Passada que está a terrível tormenta russa, as preocupações dos reles escribas como eu focam-se presentemente na dura realidade do mundo e nas suas cruéis implicações na vida de todos nós.

 

João Gonzalez

 

A opinião de João Gonzalez

O célebre episódio que agora finda por terras tailandesas, ao qual retive a minha maior atenção e espécie de preces – para um ateu não estive nada mal –, fez-me reflectir não só sobre a fragilidade da vida das crianças em causa, com o inconsequente treinador incluído, ou sobre um regresso ao Liceu e à Alegoria da Caverna de Platão, mas, sobretudo, levou-me a pensar na minha própria caverna e no modo como sou ignorado na sociedade pós-moderna, logo eu que defendo tantas causas ecológicas, ambientais e biológicas.

Sou um indivíduo paleontólogo experimentado e um cientista biólogo com formação em curso. Complicado? Não. Tenho tantos fósseis escondidos nos diversos armários, guarda-fatos, roupeiros e afins desde que me conheço que esse ossário poria a Capela dos Ossos de Évora corada de vergonha, por outro lado – ou pelo mesmo –, a minha vertente bióloga em constante mutação conduz-me à Alegoria da Gruta – vulgo, caverna tailandesa –.

Então, um gajo como eu, adepto e votante do PAN, não do Peter: o anão com asas, mas do partido Pessoas-Animais-Natureza, estrutura política cuja ideologia sou adepto há mais de uma década, pelo menos desde que me enfiaram numa gruta sem fuga possível, com o patrocínio de duas entidades bancárias, uma espanhola e outra nacional que é famosa por conferir chorudas reformas aos seus administradores, ou seja, cada banco vendeu-me um cão, já tenho três, que cuido com muita soberba e mimos, por forma a não haver descontrolo nas bestas, ainda assim não tenho direito a qualquer tempo de antena televisivo ou de streaming para defender a minha triste condição?!

Como apontamento histórico, e de enquadramento narrativo, diria que os referidos canídeos foram paridos – qual trabalho de investigação biológica –, de uma gorda e imponente vaca de seu nome: Crédito-Habitação.

Ora, caros amigos, estou metido numa gruta há 12 anos e não tenho visto mergulhadores, tv’s internacionais e distintos médicos anestesistas – salvo o Sr. Zé da taberna da esquina e o seu milagroso vinho anabolizante – a tentar salvar esta pobre alma dos raivosos cães que me mordiscam os frágeis artelhos diariamente.

Mas, lá está, sou eu que hoje, e sempre, estou mal-disposto.
Ainda bem que os putos se safaram.


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