Reino Unido vai investigar mistura de vacinas diferentes entre doses

Um estudo financiado pelo Governo britânico vai investigar a possibilidade de misturar diferentes tipos de vacinas contra a covid-19 entre a primeira e a segunda dose com segurança e sem diminuir a eficácia, foi hoje anunciado.

Reino Unido vai investigar mistura de vacinas diferentes entre doses

Reino Unido vai investigar mistura de vacinas diferentes entre doses

Um estudo financiado pelo Governo britânico vai investigar a possibilidade de misturar diferentes tipos de vacinas contra a covid-19 entre a primeira e a segunda dose com segurança e sem diminuir a eficácia, foi hoje anunciado.

Cientistas britânicos pretendem testar várias combinações com as vacinas Pfizer/BioNTech e Oxford/AstraZeneca entre a primeira e segunda dose, alternando também intervalos de quatro e 12 semanas entre as doses, adiantou o Ministério da Saúde em comunicado.

Os testes clínicos vão envolver mais de 800 voluntários com mais de 50 anos e prolongar-se ao longo de 13 meses para acompanhar a resposta imunitária para ver se é maior ou menor do que o método recomendado pelas farmacêuticas.

O estudo, financiado com sete milhões de libras (oito milhões de euros), vai ser conduzido pelo Consórcio Nacional de Avaliação do Calendário de Imunização (NISEC) em oito hospitais ingleses com o apoio do Instituto Nacional de Investigação em Saúde (NIHR).

“Devido aos desafios inevitáveis de imunizar um grande número da população contra a covid-19 e as potenciais restrições da oferta mundial, há vantagens em ter dados que poderiam apoiar um programa de imunização mais flexível, se for necessário e se for aprovado pelo regulador de medicamentos”, justificou hoje o diretor geral adjunto de Saúde de Inglaterra, Jonathan Van-Tam.

No início de janeiro, as autoridades de saúde britânicas desaconselharam a mistura de vacinas de fornecedores diferentes devido à falta de dados sobre as consequências, mas não excluíram mudar as recomendações no futuro.

Antes, em dezembro, a farmacêutica europeia AstraZeneca e o instituto de pesquisa russo Gamaleya, que desenvolveu a vacina Sputnik V, anunciaram a realização de ensaios clínicos para avaliar a segurança da utilização conjunta das duas vacinas que desenvolveram contra o novo coronavírus.

O anúncio deste novo estudo surge um dia após terem sido publicados os resultados de uma análise aos ensaios clínicos realizado pela Universidade de Oxford, a qual concluiu que a vacina desenvolvida em conjunto com a farmacêutica AstraZeneca reduz a transmissão do vírus em 67% após a primeira dose.

Os cientistas concluíram também que a vacina mostra uma eficácia de 76% contra infeções após a primeira dose da vacina, eficácia que se mantém por três meses, e que a eficácia aumenta para 82% após uma segunda dose tomada três meses depois.

O ministro da Saúde britânico, Matt Hancock, disse que os dados “validam a estratégia” do Governo britânico, que decidiu adiar a administração da segunda dose de três semanas para até 12 semanas para assim chegar ao maior número de pessoas e tentar reduzir os casos de infeção e de hospitalização.

O Reino Unido ultrapassou na quarta-feira a marca de 10 milhões de pessoas vacinadas, mostrando estar em vias de cumprir o objetivo de vacinar cerca de 15 milhões de pessoas dos primeiros quatro grupos prioritários até 15 de fevereiro.

No total, até ao final de terça-feira foram vacinadas 10.021.471 pessoas com a primeira dose, das quais 498.962 também já receberam a segunda dose.

O Reino Unido é um dos países mais afetados pela pandemia covid-19, tendo registado 109.335 mortes, o maior número na Europa e o quinto maior a nível mundial, atrás dos Estados Unidos, Índia, Brasil e México.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.253.813 mortos resultantes de mais de 103,8 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 13.257 pessoas dos 740.944 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

 

 

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