Reportagem Legionella – O que falhou para quem sofreu na pele?

Em 2013 o governo PSD/CDS revogou a lei que impunha inspeções obrigatórias regulares para deteção da bactéria ‘legionella’. 5 anos depois, as consequências

Reportagem Legionella – O que falhou para quem sofreu na pele?

Em 2013 o governo PSD/CDS revogou a lei que impunha inspeções obrigatórias regulares para deteção da bactéria ‘legionella’. 5 anos depois, as consequências

Em 2013 o governo PSD/CDS revogou a lei que impunha inspeções obrigatórias regulares para deteção da bactéria ‘legionella’. Como tal, as empresas deixaram de ter fiscalização e tudo passou a estar dependente da decisão das mesmas.

5 anos depois mais de 400 pessoas foram infetadas pelas bactéria e 20 morreram. Um dos maiores surtos em Portugal e no mundo foi o caso de Vila Franca de Xira, em novembro de 2014. Um ano depois da mudança de legislação. Na altura, o ministro do Ambiente, Jorge Moreira da Silva, afirmou que o surto de Legionella estava relacionado com torres de refrigeração da empresa Adubos de Portugal.

Mais recentemente, em novembro de 2017, no Hospital São Francisco Xavier, outro surto da Doença dos Legionários matou 5 pessoas e infetou 59.

A 27 de janeiro de 2018 mais um surto, desta vez na CUF Descobertas. 15 pessoas foram infetadas e não se registaram vítimas mortais.

Parte I

Feitas as contas, o que continua a falhar para que esta bactéria volte a «fazer estragos»?

Falámos com Alfredo Notário, Maria Otília Pinto e Joana Araújo. Todos eles viveram momentos difíceis causados por esta bactéria.

Alfredo Notário é um dos sobreviventes do surto de novembro de 2014 e não esquece os 20 dias em que esteve internado a lutar pela vida. Atualmente faz parte da direção da AAVL-VFX (Associação de Apoio às Vítimas de Legionella – Vila Franca de Xira) e continua a lutar por justiça e por uma alteração na legislação.

Joana Araújo é neta de Maria da Graça, uma das vítimas mortais do surto de novembro de 2017. Tinha 70 anos e não resistiu à primeira noite de tratamentos da bactéria. A neta não queria acreditar no que estava a acontecer e, como se não bastasse, viu a PSP entrar no velório da avó para lhe levarem o corpo. A história de Joana é arrepiante e não deixou ninguém indiferente quando saiu nos noticiários.

LEIA MAIS:Bloco de Esquerda quer inspeções periódicas com urgência para deteção de ‘legionella’

Maria Otília perdeu o marido, José Pinto, no surto de novembro de 2014. «Éramos uma família feliz», recorda. José Pinto não foi incluído no relatório do Surto de Legionella em Vila Franca de Xira. Dos 375 infetados, apenas 71 foram identificados no relatório. Isto porque os exames que são feitos para detetar a estirpe não são realizados a todos os doentes. O marido de Maria Otília foi tratado por legionella mas a estirpe nunca lhe foi identificada pois começou de imediato a tomar antibióticos e essa mesma medicação alterava o resultado dos exames.

A revolta é crescente e nenhuma destas histórias tem dúvidas quanto às falhas que levaram e continuarão a levar a estes surtos.

Saiba o que pensam estas pessoas sobre o que falhou.

Parte II

Texto: Marta Ferreira

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