Como entram a droga e os telemóveis na prisão de Paços de Ferreira [vídeo]

Os telemóveis e a droga entram na prisão de forma simples, de acordo com o que conta à nossa reportagem a mulher de um recluso de Paços de Ferreira.

A divulgação de um vídeo, a 11 de fevereiro, onde é possível ver vários reclusos da prisão de Paços de Ferreira numa festa de aniversário com acesso a álcool deu início à discussão. Esta atitude dos reclusos levou a que a diretora do Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira se demitisse, fosse aberta investigação e que dois esquadrões do Grupo de Intervenção e Segurança Prisional (GISP) e vários elementos do corpo da guarda prisional do estabelecimento prisional fizessem uma rusga. Em resultado da mesma foram apreendidos cerca de 79 telemóveis, tabaco, droga e seringas, entre outro tipo de materiais proibidos.

«Os guardas têm medo dos reclusos»

Mas como entra este material proibido num estabelecimento prisional? O Portal de Notícias teve acesso a informações dadas pela esposa de um dos reclusos da prisão de Paços de Ferreira, a cumprir pena pelo crime de assalto à mão armada. Marta – nome fictício – conta que a partilha do vídeo nas redes sociais não a chocou, uma vez que «já não é a primeira vez que tal acontece» em prisões portuguesas. «Tenho amigos detidos, tanto em Paços de Ferreira como em Braga e noutras cadeias, e vejo-os fazerem diretos e a postarem fotos. Não é algo que me surpreenda», afirma. Questionada sobre o por quê de tal acontecer, Marta refere que, segundo o que lhe é dito, «os guardas têm medo dos reclusos».

Como entram os telemóveis nas prisões

Três vezes por semana, Marta tem direito a um hora de visita ao marido. Quando chega à prisão, é revistada através de um detetor de metais e por apalpação. É a própria a dizer que «os telemóveis não entram pelas visitas porque são fáceis de detetar». «Onde é que os reclusos vão meter um telefone?» Marta não deixa, porém, de referir que tal não é impossível de acontecer uma vez que muitas vezes estão «500 pessoas na visita e só dois guardas». «Braga é uma cadeia mais pequenina e é mais fácil de detetar. Agora, em Paços de Ferreira, onde é que conseguem detetar, à volta de 500 pessoas na visita, só dois guardas? É impossível», conclui.

Guardas prisionais recebem pagamento

O acesso a telemóveis e a qualquer contacto com o exterior não é permitido no interior das prisões. No entanto, a partilha deste vídeo veio demonstrar que nem sempre isso acontece. Marta diz ter conhecimento de «pagamentos feitos a guardas» prisionais do Estabelecimento Prisional de Braga, e «noutras prisões» para que telemóveis entrem na prisão. «Em Braga, por um telefone o guarda-prisional levava 200 euros. A pessoa tinha de comprar o telefone e dava os 200 euros ou 300 euros e o guarda prisional comprava o telefone», conta.

«Os telemóveis entram por guardas prisionais, por advogados ou por quem trabalha lá fora e leva lá para dentro», acrescenta

«Qualquer pessoa pode levar droga porque a droga não ‘apita’»

Quando visita o marido, Marta pode levar «roupa, mediante o que ele manda para fora, e levar um quilo de comida». No que diz respeito à droga presente nas prisões, esta esposa de um recluso refere que não será «assim tão difícil que esta entre» num estabelecimento prisional, uma vez que «a droga não apita» [não é detetada pelos aparelhos]. «Qualquer pessoa pode levar droga porque a droga não apita», reforça. Questionada sobre a revista que recebe à entrada das prisões, conta que lhe foi dito que não poderia «ir de vestido nem de saia». «Só calças.» A razão prende-se com o facto de num vestido ou saia ter «facilidade de levar e tirar a droga e entregar» ao recluso.

«Só posso usar calças sem fecho porque se apitar não entro. Em Braga, facilitam muito mais. Há lá uma máquina de detetar metais que se apitar vamos na mesma para a visita. Em Paços de Ferreira, não. Se apitar, não se entra até tirar o que tem a apitar», explica. Contudo, apesar de qualquer pessoa ser revistada por apalpação, Marta conta que «é uma coisinha leve». E que, «se uma pessoa levar a droga no ânus ou na vagina, a guarda não vai estar ali a apalpar». Com isto, a mulher refere-se aos momentos íntimos a que cada recluso tem direito com as companheiras.

Reclusos agredidos após divulgação do vídeo

De acordo com Marta, os reclusos que participaram no vídeo da festa divulgado nas redes sociais «foram transferidos para Lisboa». No momento em que foi feita a rusga por parte dos elementos do estabelecimento prisional e os GISP (Grupo de Intervenção e Segurança Prisional), alguns reclusos «foram agredidos». «Os GISP foram muito maus com as pessoas, porque houve muita gente que levou porrada e foi parar ao Hospital. Só por olharem para eles», menciona.

Novo vídeo mostra reclusos a fumar droga

Duas semanas depois de divulgado o primeiro vídeo, surge um segundo. Aparecem três homens a fumar o que aparenta ser droga. Nas imagens, que pode ver a seguir, é possível ver e ouvir um dos protagonistas do registo partilhado nas redes sociais afirmar que um dos colegas está «com uma moca descomunal». Na primeira revista, foram confiscados cerca de 79 telemóveis e várias doses de droga. Agora, foi feita uma nova revista às celas e aos reclusos e foram apreendidos mais 18 telemóveis.

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Reportagem: Marisa Simões | WiN

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