Tumultos na África Subsariana aumentam mais de 800% entre 2011 e 2018 – Índex paz

A agitação civil na África Subsariana aumentou mais de 800%, passando de 32 tumultos em 2011 para 292 em 2018, de acordo com o Índice Global da Paz 2020, hoje divulgado.

Tumultos na África Subsariana aumentam mais de 800% entre 2011 e 2018 - Índex paz

Tumultos na África Subsariana aumentam mais de 800% entre 2011 e 2018 – Índex paz

A agitação civil na África Subsariana aumentou mais de 800%, passando de 32 tumultos em 2011 para 292 em 2018, de acordo com o Índice Global da Paz 2020, hoje divulgado.

O relatório, elaborado pelo Instituto para a Economia e a Paz (IEP), um grupo de reflexão independente, não partidário e sem fins lucrativos, classificou 163 Estados e territórios independentes, segundo o seu nível de tranquilidade.

O Índice Global da Paz 2020, intitulado “medindo a paz num mundo complexo”, indica que a África Subsariana registou o maior aumento de tumultos, seguida da Europa, Ásia do Sul, América do Sul, América Central e América do Caraíbas, Ásia-Pacífico e Rússia e Eurásia.

Nesta região do continente africano, o aumento de casos de agitação civil foi de 800%, tendo a África Subsariana sido palco de 42,6% das manifestações violentas em todo o mundo.

Os autores do índice apontam a Nigéria como o país responsável pelo maior número de manifestações, registando 79 em 2018.

Em 2018, o número de manifestações neste país aumentou de seis para 79.

Um dos casos mais significativos foi a prisão do Xeque Ibrahim El-Zakzaky, líder do Movimento Islâmico da Nigéria (IMN). Os apoiantes do IMN protestaram repetidamente ao longo do ano pela libertação de El-Zakzaky.

Na África do Sul, o aumento de tumultos foi de 86%, entre 2011 e 2018, tendo a maior parte da subida ocorrido em 2017 e 2018.

Nesse país, os estudantes universitários começaram os protestos na sequência da proposta de aumento das propinas no final de 2015. Estas manifestações conduziram ao encerramento temporário das principais universidades do país.

Também a Etiópia conheceu uma tendência semelhante, quando as restrições de emergência para conter os protestos em 2015 terminaram no final de 2017 e os cidadãos regressaram às ruas. O número de motins e manifestações aumentou 500%, entre 2015 e 2018.

O relatório indica que grande parte da agitação ocorreu no Estado de Oromiya, que rodeia a capital Adis Abeba e é palco de tensões de longa data entre a província e o governo federal.

As manifestações e outros atos de violência levaram à demissão do então primeiro-ministro Hailemariam Desalegn, em fevereiro de 2018.

Na Guiné-Conacri, os manifestantes e as forças governamentais entraram em confronto com frequência nos últimos anos, tendo a violência sido registada em 65% das manifestações.

A maioria dos eventos aconteceu em 2018, quando os protestos dos professores acabaram por assegurar o prometido aumento dos salários.

Ao mesmo tempo, os partidos políticos locais marcharam para exigir que os resultados das eleições municipais fossem divulgados, alegando fraude por parte do partido no poder.

Os protestos e motins continuaram desde 2018, principalmente após o Presidente Alpha Conde ter realizado um referendo em 22 de março de 2020 para alterar a Constituição e, assim, poder candidatar-se a um terceiro mandato, o que suscitou novos tumultos que resultaram em pelo menos 30 mortes.

O relatório hoje divulgado é a 14ª edição do Índice de Paz Global, o qual abrange 99,7% da população mundial, utilizando 23 indicadores qualitativos e quantitativos de fontes altamente respeitadas.

SMM // JPS

By Impala News / Lusa

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