Timor-Leste/Eleições: Os novos e velhos eleitores, que votam pela primeira vez

Dezenas de milhares de timorenses votam hoje pela primeira vez nas eleições presidenciais, as maiores de sempre em Timor-Leste

Timor-Leste/Eleições: Os novos e velhos eleitores, que votam pela primeira vez

Timor-Leste/Eleições: Os novos e velhos eleitores, que votam pela primeira vez

Dezenas de milhares de timorenses votam hoje pela primeira vez nas eleições presidenciais, as maiores de sempre em Timor-Leste

(CORREÇÃO) Díli, 19 mar 2022 (Lusa) — Na escola 5, de Comoro, na saída ocidental da capital timorense, duas horas depois da abertura das urnas, era difícil perceber onde exatamente terminava a longa e sinuosa fila para votar nas eleições presidenciais.

Gente de todas das idades, incluindo jovens, idosos – alguns com mais dificuldade em andar e que eram apoiados por familiares -, mulheres grávidas e outras com bebés ao colo, freiras, todos alinhados ao longo do recinto da escola.

A linha seguia a sombra das árvores do recinto e por isso, serpenteava no recreio e ao longo das zonas cobertas das salas de aula que hoje, como ocorre no resto do país, está convertida em centro de votação.

Muitos dos que estão na fila são jovens eleitores, a votar pela primeira vez, refletindo o crescimento exponencial de votantes num país onde 70% da população tem menos de 30 anos.

Mas entre os novos votantes há outros menos jovens, como é o caso de Carlos Jesus, 70 anos, que vai votar pela primeira vez em Timor-Leste, país onde vive desde 2012 e no qual obteve a nacionalidade, depois de um prolongado processo, há cinco anos.

“Estive cá em 1973, 74 a cumprir serviço militar. Vim para cá em 2012 e quando José Ramos-Horta [ex-presidente e atual candidato presidencial] passou a ser ex-titular, comecei a ser o seu chefe de gabinete”, explica à Lusa, à sombra da árvore de onde está pendurada uma enferrujada jante de um carro que faz a vez do sino na escola.

“Comecei a tratar na nacionalidade por casamento; a minha primeira mulher, agora falecida, era timorense. Perderam-me os papéis e tive que os apresentar três vezes e finalmente, depois de provas e exames, deram-me a nacionalidade timorense”, disse Carlos Jesus.

“É um sentimento nobre para mim. Tenho a nacionalidade timorense por opção, porque a minha falecida mulher gostava que eu fosse timorense, mas também por sentimento. Estou aqui para, dentro das minhas possibilidades, contribuir, e ser parte integrante do desenvolvimento da política deste país é muito gratificante”, sublinha.

Praticamente ao lado, há outro estreante, José António de Sousa, 22 anos, e que também está a votar pela primeira vez no seu país.

Vem lentamente, a dar o braço esquerdo e o apoio ao avô, José da Silva, 79 anos, e que só votou pela primeira em 1999, no referendo em que os timorenses escolheram a independência.

Os dois caminham lentamente de saída da escola, os dedos roxos pintados com a tinta indelével que é usada em Timor-Leste para confirmar que se votou e, ao mesmo tempo, para evitar possíveis tentativas de fraude e de votar mais do que uma vez.

“É muito bom poder vir votar com o meu neto. Fico muito contente. É importante que os jovens participem”, contou o avô, à Lusa.

“Para mim o mais importante é o desenvolvimento da nação. O que interesse é haver formas de trazer o dinheiro do petróleo para Timor. Isso é que interessa, para criar emprego para os jovens como o meu neto”, explica José da Silva, justificando a motivação da sua decisão em urna.

José António de Sousa expressa orgulho por votar pela primeira vez e também explica que votou a pensar “no futuro” e na educação, saúde e outras necessidades do país.

“É muito importante votar. O meu voto é o meu direito e a forma de contribuir. Sinto-me muito importante por isso”, explica, antes de um adeus e de retomarem os dois, de braço dado, e lentamente, a viagem de volta a casa.

Um pouco por todo o país, cenas como estas estão hoje repetir-se, com dezenas de milhares de jovens a entrarem pela primeira vez nas urnas de papelão, a furarem com um longo prego o espaço do candidato que apoiam no boletim de voto.

Depois inserem o indicador direito no pequeno boião de tinta roxa e saem, muitos com o orgulho que querem registar, com fotos que depois inundam as redes sociais, marcando as maiores presidenciais de sempre em Timor-Leste.

 

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By Impala News / Lusa

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