Timor-Leste/Eleições: Começa a longa contagem das escolhas dos eleitores timorenses

Milhares de funcionários eleitorais, sob os olhos atentos de dezenas de milhares de fiscais dos 16 candidatos presidenciais ao voto de hoje em Timor-Leste, iniciaram o longo processo de contagem para determinar quem será o próximo chefe de Estado.

Timor-Leste/Eleições: Começa a longa contagem das escolhas dos eleitores timorenses

Timor-Leste/Eleições: Começa a longa contagem das escolhas dos eleitores timorenses

Milhares de funcionários eleitorais, sob os olhos atentos de dezenas de milhares de fiscais dos 16 candidatos presidenciais ao voto de hoje em Timor-Leste, iniciaram o longo processo de contagem para determinar quem será o próximo chefe de Estado.

Um processo moroso que antes de arrancar obriga a ‘demonstrar’ os locais de votação, inutilizar boletins de voto que não foram usados e depois contar voto por voto, mostrando o boletim a fiscais e observadores, e a muitos curiosos eleitores.

Duas horas depois das urnas fecharem começam a ‘pingar’, canalizados pelas várias candidaturas, resultados parciais, recolhidos no terreno, sendo que faltam várias horas para os primeiros resultados oficiais, e mesmo assim provisórios, sejam conhecidos.

Até lá, a tendência do resultado vai-se vendo em riscos escritos em papéis brancos nas paredes dos centros de votação onde o apoio é medido antes da sua digitalização e posterior contabilização pelo Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE).

Apesar de alguns incidentes — a campanha de José Ramos-Horta denunciou irregularidades — e de problemas no funcionamento dos estreantes centros de votação paralelos, o voto de hoje decorreu sem problemas de maior.

Os candidatos votaram todos de manhã, com José Ramos-Horta a ser o mais madrugador e o primeiro eleitor a votar em Metiaut, o seu suco (divisão administrativa).

“O número 14 tem pelo menos um voto assegurado”, disse Ramos-Horta, depois de votar, referindo-se ao seu número no boletim de voto, enquanto mostrava o dedo roxo, marcado com tinta indelével e que atesta quem já votou.

“Sou dos primeiros a votar e isso é simbólico. Quero sublinhar que, apesar de alguns pequenos incidentes, a campanha decorreu sem problemas. Parabéns para todos os candidatos, povo e sociedade, que garantiram um bom processo eleitoral”, afirmou.

Do outro lado da cidade, no bairro do Farol, votava Francisco Guterres Lú-Olo, atual chefe de Estado, que confiante na vitória, considerou que a eleição de hoje “representa a mudança da situação política de Timor-Leste, como também da situação socioeconómica de todo o nosso povo”.

Ao seu lado, na campanha e no momento do voto, Mari Alkatiri, secretário-geral da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), partido que apoiou a candidatura de Lú-Olo, e também se mostrou confiante na vitória.

“Não tenho dúvidas nenhumas de que esta foi uma boa campanha. A eleição é extremamente importante para provocar aqui uma mudança de postura, de toda a liderança e todo o povo e penso que conseguimos isso. Estou confiante que o candidato Lú-Olo vai ganhar”, disse.

Em outros pontos da cidade votaram outros candidatos, no que foi uma eleição que marcou a entrada em palco de novas vozes políticas, que apostam na mudança geracional.

“Este é um momento importante para haver mudança no próprio país, para assegurar que a mudança que nós queremos, para ter um país mais inclusivo e equitativo, começa hoje”, disse à Lusa a ex-embaixadora Milena Pires depois de votar na Escola 5, em Comoro.

Também Vergílio Guterres, jornalista e presidente do Conselho de Imprensa, disse depois de votar no centro de votação Grencinfor, no centro de Díli, que o elevado número de candidatos mais jovens é uma mensagem importante para o país.

“Nas eleições anteriores tive de escolher outra pessoa, mas desta vez tenho garantido pelo menos um voto para mim. E destaco isso, haver muitos candidatos, mas mais da nova geração”, disse à Lusa.

“É uma grande mensagem política ao país e ao povo de que a esperança continua acesa para continuar a caminhar. Os velhos vão, os novos vêm e a luta continua”, vincou.

Depois de votar na Escola Cristal, Constâncio Pinto, outro dos candidatos da dita ‘geração continuadora’, considerou o voto de hoje crucial, depois de vários anos de impasse político, com a economia e o desenvolvimento estagnados.

“Precisamos de uma liderança nova, com visão nova ao serviço deste país. Ter muitos candidatos é um sinal de vontade de mudança, principalmente a nova geração. Temos um grande problema de desemprego muito alto neste país e este país precisa de novas soluções”, disse.

Em Vila Verde, depois de votar, Mariano Assanami Sabino também se referiu à elevada participação de jovens nas primeiras horas da votação para a eleição do novo chefe de Estado é um sinal de esperança para o futuro.

Sabino, outrora membro da ala juvenil da resistência à ocupação indonésia, disse esperar que a eleição ajude os mais jovens “a exercer o seu direito político, votando pela mudança para Timor-Leste e para o seu futuro, dos jovens”.

“Vinte anos depois da independência é momento certo para os jovens exercerem bem o seu direito político”, afirmou.

“A grande participação é um sinal de esperança para o futuro”, afirmou Sabino.

Entre os mais velhos, e a votar na ponta leste do país, o ex-chefe das forças armadas, Lere Anan Timur, também falou de transição, mas disse que ainda há que a preparar.

“Esta eleição é importante porque é a última oportunidade para prepararmos a nova geração para o futuro. Os líderes da resistência já estão na velhice e temos que preparar os mais jovens”, afirmou, em declarações por telefone à Lusa.

“Precisamos de um Presidente que saiba promover o diálogo entre os líderes e a união entre eles e o povo. Precisamos de estabilidade, e de levar a nossa juventude para o futuro”, considerou.

Um total de 859.613 eleitores são chamados hoje a escolher o próximo Presidente timorense, entre 16 candidatos, o maior número de sempre.

O único resultado provisório conhecido é da Austrália onde Ramos-Horta foi o mais votado, com 45,85% do total, à frente de Lú-Olo com 28,08% e de Milena Pires, com 16,38%, num voto em que alguns eleitores choraram por não poder votar, visto não ter sido possível, por causa da covid-19, atualizar os cadernos eleitorais.

Sinal negativo a elevada abstenção que na Austrália atingiu os 76,53%.

 

ASP // JNM

By Impala News / Lusa

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