Supernanny: SIC diz que programa «não gera efeitos negativos ou de censura»

A SIC defende-se de acusações sobre alegados efeitos nefastos do programa Supernanny. Formato polémico está sob a mira da UNICEF, da ERC e da Ordem dos Psicólogos.

Supernanny: SIC diz que programa «não gera efeitos negativos ou de censura»

A SIC defende-se de acusações sobre alegados efeitos nefastos do programa Supernanny. Formato polémico está sob a mira da UNICEF, da ERC e da Ordem dos Psicólogos.

O novo programa da SIC cujo mote é reeducar as crianças em prol da qualidade de vida e felicidade familiar está a deixar os portugueses com muitas dúvidas. «Supernanny» estreou-se este domingo às 21h30 e está a criar alvoroço.

Ao longo desta segunda-feira foram várias as queixas feitas à Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) e a Ordem dos Psicólogos já confirmou que vai analisar o programa em questão. As críticas são pelo facto do programa em questão ir contra «o interesse superior das crianças».

No comunicado enviado aos meios de comunicação esta tarde, a SIC explica a origem do programa e porque motivo não considera o programa negativo.

«O programa “SuperNanny” exibido pela SIC corresponde a um formato internacional, criado originalmente em 2004, no Reino Unido, e exibido pelo Channel 4, com o objetivo de auxiliar pais e educadores a melhorarem a relação com os seus filhos, ajudando-os a estabelecerem regras e limites e melhorando a comunicação entre todos, criando assim uma dinâmica familiar mais saudável.
Após o sucesso obtido no Reino Unido, o programa foi produzido a nível local em vários países como Alemanha (RTL), Espanha (Cuatro), França (M6, NT1 e TF1), Suécia (Viafree), entre outros países.»

Com base nestes argumentos, a estação de televisão defende-se:

«A experiência acumulada nesses países tem demonstrado que o “SuperNanny” não gera efeitos negativos ou de censura em ambiente escolar e social, antes contribuindo para uma melhoria significativa da qualidade de vida familiar.»

Perceba: Quem é a psicóloga de «Supernanny»?

A estação de Carnaxide conclui o comunicado com algumas considerações sobre a produção do programa: «O programa foi produzido e é exibido na SIC no estrito cumprimento da lei aplicável, tendo sido obtidas as necessárias autorizações para o efeito. São abordadas situações reais, ocorridas em ambiente familiar, de um modo responsável, não exibicionista e sem explorar situações de particular fragilidade. O “SuperNanny” aborda situações comuns a muitas famílias, com um mero intuito pedagógico, não substituindo qualquer diagnóstico e/ou aconselhamento psicológico.

UNICEF diz que programa «vai contra o interesse superior das crianças»

Ainda só foi emitido um episódio, mas o formato da SIC já está envolto em polémica. Depois de a Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens, da Entidade Reguladora para a Comunicação Social e da Ordem dos Psicólogos terem manifestado posições desfavoráveis sobre «Supernanny», é a vez da UNICEF manifestar preocupação sobre o programa cujo rosto é a psicóloga infantil Teresa Paula Marques.

Em comunicado, Beatriz Imperatori, Directora Executiva da UNICEF Portugal, considera que o programa televisivo, que a SIC exibe aos domingos à noite, «vai contra o interesse superior das crianças».

Eis o comunicado:

«A UNICEF Portugal considera que o conteúdo do programa televisivo “Supernanny”, transmitido ontem, dia 14 de Janeiro, pela SIC, vai contra o interesse superior das crianças, violando alguns dos seus direitos, nomeadamente o direito da criança a ser protegida contra intromissão na sua vida privada», pode ler-se.

Leia também: Reality shows podem interferir na privacidade da criança

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