Snus, o polémico estimulante que é visto como a droga da moda e usado por jogadores de futebol

Snus, considerada a “nova droga” dos futebolistas, é um produto com alegados benefícios na prestação em campo, mas também muito perigoso. A compra e venda são ilegal. Os jogadores portugueses também a usam.

Snus, o polémico estimulante que é visto como a droga da moda e usado por jogadores de futebol

Snus, considerada a “nova droga” dos futebolistas, é um produto com alegados benefícios na prestação em campo, mas também muito perigoso. A compra e venda são ilegal. Os jogadores portugueses também a usam.

Snus é o polémico estimulante que é visto como a “droga da moda” e usado por jogadores de futebol. É um produto com alegados benefícios na prestação em campo, mas também muito perigoso: ajuda a combater a ansiedade antes dos jogos, mas é considerado cancerígena pelas autoridades de saúde.

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É um produto sueco, consumido de forma semelhante ao tabaco mascado por jogadores de basebol nos EUA, mas com um teor de nicotina que chega aos 27 mg por dose e está a mexer com o universo do futebol. Em 2018 soaram os alarme em Inglaterra. A imprensa internacional avançava que na Premier Ligue estavam a decorrer investigações devido ao consumo de Snus, à qual se referiam como a “nova droga” dos jogadores de futebol.

A venda de snus – que é armazenado em pequenas bolsas de uso individual, como mini-saquetas de chá de infusão ou em pastilhas – é ilegal na União Europeia e Inglaterra, exceto na Suécia. E integra uma lista de substâncias que a Agência Mundial Anti-Doping mantém sob controlo, por alegadamente potenciar a performance física.

Jogadores portugueses contam como usam e arranjam Snus

O produto contém altas doses de nicotina, em quantidades três a quatro vezes superiores às de um cigarro, e está diretamente relacionada com o aparecimento de cancros orais. Mas ainda assim, é muito desejado pelos futebolistas. E em Portugal não é excepção. A SÁBADO ouviu o relato de alguns jogadores (que preferiram manter o anonimato) que revelam como o consumo é feito dentro e fora do campo, da primeira à terceira ligas.

A maioria dos jogadores diz que teve contacto com esta substância através de colegas que jogam no estrangeiro a quem, por vezes, encomendam doses. Mas é na internet que a arranjam com maior facilidade e variedade. Dizem também não estar preocupados uma vez que a nicotina não faz parte das substâncias consideradas dopantes.

“Antes do jogo começar tomo sempre, às vezes no intervalo. Mas conheço muitos jogadores que o utilizam durante o jogo e nos treinos. É um vício como o tabaco, quando te habituas, não consegues largar. Há jogadores que consomem na primeira liga, na segunda liga, na terceira liga… Atualmente num balneário há 2, 3 jogadores, no mínimo, que usam snus.”, começa por dizer um dos futebolistas entrevistados. “Ainda é uma coisa desconhecida, mas quando se tornar conhecido em Portugal, várias pessoas, só a olhar, vão saber que a pessoa em questão está a consumir snus”, afirma.

“É uma sensação de alívio. faz-me sentir bem depois do treino, depois do jogo, depois de comer. Às vezes estou em casa e meto apenas porque me relaxa. Utilizo mais em dias de jogo, com o propósito de me acalmar”, revela outro profissional de futebol.

Entre 10 a 12 doses por dia

Um dos jogadores entrevistados diz tomar entre 10 a 12 doses. “Ao acordar é logo a primeira coisa que faço e depois repito após o pequeno almoço. Antes e depois do treino meto mais um, de seguida almoço e meto mais outro. E por fim, meto depois de jantar e antes de ir dormir. No mínimo 10. Em dias de exagero, 12. Sinto que relaxa os músculos, se estiveres stressado ou com ansiedade antes de um jogo, ou mesmo no dia-a-dia, o snus deixa-nos muito mais calmos, dá tranquilidade. Há jogadores com alguns problemas de ansiedade e é como se fosse um calmante”, assume.

Fábio Paim, ex-jogador de futebol que deixou os campos há dois anos, mas ainda mantém contacto com muitos dos futebolistas que estão no ativo. E por estar fora dos relvados, não tem medo de dar a cara e falar sobre uma substância que ele também já consumiu. “Como sou curioso, já experimentei, mas não me dei bem, deu-me muitas tonturas. Aquilo é mesmo muito forte. Mas sei que muito jogadores a estão a utilizar. Vi e sei que antigos colegas meus, profissionais do futebol, metem mesmo foram do campo. Metem aquilo por baixo do lábio e ficam com aquilo. Já é um hábito.  Tomam a toda a hora. acabam aquele, metem outro”, disse à Sábado.

Vem numa caixa redonda e tem o cheiro de uma pastilha de mentol ou que qualquer outro sabor frutado. É uma espécie de tabaco húmido, que se coloca por baixo do lábio superior. Mas este pacote é uma verdadeira bomba de nicotina,  uma substância perigosa e cada vez mais consumida no mundo do futebol. “Em vários estudos realizados, o snus tem sido associado a lesões a nível da cavidade oral, como por exemplo o cancro, também a problemas a nível da arcada dentária, da gengiva. Acho que os desportistas vêm o snus como uma maneira de poderem ter os benéficos da nicotina, como diminuir da ansiedade, o relaxar em situações de maior stress”, referiu Rafaela Campanha, pneumologista,  àquela publicação.

Fotos: D.R. e reprodução de vídeos

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