Secretário-geral da ONU propõe mais 3.700 elementos na força de manutenção da paz na RCA

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, recomendou um aumento da força de paz da ONU (Minusca) na República Centro-Africana (RCA) de cerca de 3.700 homens, num relatório apresentado ao Conselho de Segurança.

Secretário-geral da ONU propõe mais 3.700 elementos na força de manutenção da paz na RCA

Secretário-geral da ONU propõe mais 3.700 elementos na força de manutenção da paz na RCA

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, recomendou um aumento da força de paz da ONU (Minusca) na República Centro-Africana (RCA) de cerca de 3.700 homens, num relatório apresentado ao Conselho de Segurança.

“Recomendo um aumento de 2.750 militares e 940 polícias”, afirma o chefe da ONU no documento, a que a agência de notícias francesa, AFP, teve acesso.

Isto elevaria o total autorizado para esta missão para 14.400 militares e 3.020 polícias, acrescentou.

Porém, António Guterres sublinhou que este reforço deve ser “faseado e baseado numa revisão regular da evolução do contexto político e de segurança”.

A Minusca é uma das maiores operações de paz liderada pela ONU no mundo, com um orçamento anual que se aproxima dos mil milhões de dólares (825 milhões de euros).

Em dezembro, tendo em vista as eleições presidenciais no final do mês naquele país, o Conselho de Segurança autorizou um destacamento temporário de dois meses de cerca de 350 militares de manutenção da paz (na sua maioria ruandeses) e dois helicópteros da missão da ONU no Sudão do Sul. Na semana passada, o Conselho autorizou uma nova prorrogação de dois meses daquele reforço, até 10 de abril.

Ao abrigo de acordos bilaterais com o Governo da RCA, foram também enviadas para a República Centro-Africana, no final de 2020, tropas russas e ruandesas.

Estes destacamentos “ajudaram a resolver a difícil situação de segurança”, admite António Guterres no seu relatório, numa rara demonstração de apreço pelos membros do grupo de segurança privado russo Wagner, frequentemente criticado pelas suas intervenções.

“A República Centro-Africana encontra-se num momento crítico, que irá determinar se a paz e a estabilidade serão restauradas e reforçadas”, afirma o secretário-geral da ONU no documento, justificando a necessidade de um reforço permanente da Minusca.

A próxima reunião do Conselho de Segurança sobre a República Centro-Africana, que deverá discutir o assunto, está agendada para 24 de fevereiro.

Os objetivos de um reforço militar da força de paz “seriam controlar e inverter a instabilidade atual, promovendo, ao mesmo tempo, o respeito pelo acordo político” sobre a paz, explicou Guterres.

“A curto e médio prazo, os reforços incluiriam um batalhão para assegurar a rota principal de abastecimento” a Bangui, capital do país, que chegou a estar cortado pelos rebeldes no início deste ano, unidades de reação rápida e especialistas em imagem, disse.

“A mais longo prazo, incluiriam meios aéreos para observação ar-terra e UAVs [veículo aéreo não-tripulado] para melhorar as operações e a capacidade de reconhecimento e inteligência”, especificou.

Os reforços policiais iriam “ajudar a Minusca a manter a ordem e a fazer cumprir a lei”, considerou.

Em meados de dezembro, seis dos 14 grupos armados que ocuparam dois terços da RCA desde o início da guerra civil, em 2013, lançaram uma ofensiva contra o regime do Presidente Faustin Archange Touadéra, que foi reeleito no final de dezembro.

Portugal tem atualmente na RCA 243 militares, dos quais 188 integram a Minusca e 55 participam na missão de treino da União Europeia (EUTM), liderada pelo brigadeiro-general Neves de Abreu, até setembro de 2021.

A RCA caiu no caos e na violência em 2013, após o derrube do então presidente, François Bozizé, por grupos armados juntos na Séléka, o que suscitou a oposição de outras milícias, agrupadas na anti-Balaka.

Desde então, o território centro-africano tem sido palco de confrontos comunitários entre estes grupos, que obrigaram quase um quarto dos 4,7 milhões de habitantes da RCA a abandonarem as suas casas.

ATR // JH

By Impala News / Lusa

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