Renamo acusa Governo moçambicano de pretender excluir mediadores do processo de paz

A Renamo, principal partido de oposição em Moçambique, acusou o Governo de pretender excluir os mediadores internacionais das negociações de paz no país, para perseguir um “plano oculto” de perpetuação da guerra.

Renamo acusa Governo moçambicano de pretender excluir mediadores do processo de paz

Renamo acusa Governo moçambicano de pretender excluir mediadores do processo de paz

A Renamo, principal partido de oposição em Moçambique, acusou o Governo de pretender excluir os mediadores internacionais das negociações de paz no país, para perseguir um “plano oculto” de perpetuação da guerra.

Maputo, 14 nov (Lusa) – A Renamo, principal partido de oposição em Moçambique, acusou hoje o Governo de pretender excluir os mediadores internacionais das negociações de paz no país, para perseguir um “plano oculto” de perpetuação da guerra.


“Este plano oculto pretende perpetuar a guerra no país, razão pela qual não querem ver mediadores no país, por que razão o Governo pretende afastar os mediadores internacionais”, questionou António Muchanga, deputado da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), falando durante uma sessão de perguntas e respostas com o executivo, na Assembleia da República.


Muchanga aludia à proposta da delegação do Governo nas negociações de paz de criação de um grupo de trabalho sobre descentralização, sem a presença dos mediadores internacionais, assinalando que a ideia faz parte dos planos do executivo de prolongar o conflito armado no país.


“Se o Governo está comprometido com a paz, o que leva ao alastramento de ações militares em todo o país? O que o povo está a assistir é contrário ao calar das armas, o que se assiste é o desdobramento das Forças de Defesa e Segurança em todo o território”, declarou o deputado da Renamo e também porta-voz do partido de oposição.


Ao pretender que os mediadores internacionais não tenham assento no grupo de trabalho, continuou António Muchanga, o executivo moçambicano demonstra ter um plano estranho à paz.


Falando no parlamento, o primeiro-ministro moçambicano, Carlos Agostinho do Rosário, afirmou que o grupo de trabalho sobre descentralização visa agilizar e conferir maior abrangência e rigor ao processo de descentralização.


“Este grupo tem a missão de preparar o documento contendo a filosofia e os procedimentos gerais que servirão de base para a elaboração do pacote legislativo sobre a descentralização a ser submetido a esta magna casa do povo em tempo útil”, declarou Carlos Agostinho do Rosário.


A Comissão Mista do Diálogo para a Paz em Moçambique, que inclui Governo, Renamo e mediadores internacionais, anunciou na semana passada a criação de um grupo de trabalho que vai elaborar uma proposta de descentralização do país, num esforço visando o alcance da paz no país.


A Renamo exige governar nas seis províncias onde reivindica vitória nas eleições gerais de 2014, acusando a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder, de fraude no escrutínio.


O centro e norte do país têm sido assolados por confrontos entre as Forças de Defesa e Segurança moçambicanas e o braço armado da Renamo, movimento acusado pelo Governo de atacar alvos civis nas duas regiões.



PMA // VM


Lusa/Fim

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