Xenofobia no discurso político é muito grave

A Obra Católica Portuguesa de Migrações (OCPM) considerou que a xenofobia e o racismo no discurso político é uma situação “muito grave”, mas disse acreditar que a grande maioria da população portuguesa pode contribuir para o inverso.

Xenofobia no discurso político é muito grave

Xenofobia no discurso político é muito grave

A Obra Católica Portuguesa de Migrações (OCPM) considerou que a xenofobia e o racismo no discurso político é uma situação “muito grave”, mas disse acreditar que a grande maioria da população portuguesa pode contribuir para o inverso.

“[Xenofobia] É muito grave e ainda bem que temos também políticos atentos e que fazem frente, em sede própria, porque há aí uma narrativa que procura um bode expiatório e revela alguma ignorância ou procura fazer generalizações de uma ou outra história que conheceu”, disse à agência Lusa a diretora da OCPM, Eugénia Quaresma. A propósito da peregrinação internacional de agosto ao Santuário de Fátima, que hoje começa e integra a peregrinação do migrante e do refugiado, Eugénia Quaresma salientou que “a grande maioria das pessoas” que vem estudar ou trabalhar para Portugal não quer “viver às custas”, mas desenvolver o seu potencial e da sua família, e algumas delas “esperam e sonham também desenvolver o potencial do país de origem”.

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Questionada se este tipo de discurso está a agravar-se na política, a responsável da OCPM explicou, referindo-se ao partido Chega, que “agora tem palco, tem lugar na Assembleia [da República] e, pelo número de deputados que tem, portanto, tem uma maior expressão”. “Agora, acredito que a grande maioria da população portuguesa pode contribuir para o inverso, para mostrar como é importante construirmos uma sociedade com os migrantes e com os refugiados e não contra os migrantes e os refugiados, sem esquecer os autóctones, sem esquecer os nossos emigrantes”, adiantou. A diretora da OCPM admitiu ainda estar “surpreendida com o crescimento” deste discurso, mas frisou que só ganhou palco porque dá voz à insatisfação “de coisas que não estão concretizadas”, daí a importância, a nível político, de se promover “o desenvolvimento do país, sem deixar ninguém para trás”. “Se nós tivermos a consciência que as migrações fazem parte da História da humanidade e se soubermos aproveitar a riqueza, todo o potencial que trazem, seja espiritual, seja cultural, e aproveitarmos isto para construirmos um mundo novo e mais justo, saímos todos a ganhar”, acrescentou Eugénia Quaresma.

A diretora da OCPM admitiu ainda estar “surpreendida com o crescimento” deste discurso

Em 21 de julho, no debate sobre a revisão da lei de estrangeiros, no parlamento, o presidente do Chega, André Ventura, acusou o Governo (PS) de querer que os imigrantes “venham de qualquer maneira” para o país e acrescentando: “Só há uns que nunca têm prioridade no discurso do Governo, os portugueses que trabalharam toda a vida, que pagam impostos e estão a sustentar o país”. André Ventura chegou mesmo a dizer que os imigrantes que chegam a Portugal não são iguais aos portugueses que emigram para outros países, intervenção que gerou muitos protestos por parte de vários deputados no hemiciclo e levou à intervenção do presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva. “Devo dizer que como presidente da Assembleia da República de Portugal considero que Portugal deve muito, mas mesmo muito aos muitos milhares de imigrantes que aqui trabalham, que aqui vivem e que aqui contribuem para a nossa Segurança Social, para a nossa coesão social, para a nossa vida coletiva, para a nossa cidadania e para a nossa dignidade como um país aberto inclusivo e respeitador dos outros”, declarou, tendo sido aplaudido por deputados de várias bancadas, à exceção do Chega.

André Ventura, acusou o Governo (PS) de querer que os imigrantes “venham de qualquer maneira” para o país

André Ventura ripostou, considerando que o presidente do parlamento deveria “abster-se de fazer comentários” sobre as intervenções dos deputados e acusando-o de representar o PS nas suas funções. Os deputados do Chega acabaram por abandonar o hemiciclo. Duas semanas depois, o líder do Chega defendeu que a sua intervenção “não tem nada a ver nem com xenofobia nem com racismo, tem a ver com um país que tem de ter controlo sobre as suas fronteiras” perante a “imigração ilegal” e “as consequências que isso pode ter, sejam eles de que país forem”.

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