«Killer Ratings»: Apresentador de televisão encomendava crimes para ter audiências

Wallace Souza apresentou durante 10 anos o programa «Canal Livre», exibido na TV Rio Negro, no Brasil, que retratava vários crimes cometidos no Brasil.

«Killer Ratings»: Apresentador de televisão encomendava crimes para ter audiências

«Killer Ratings»: Apresentador de televisão encomendava crimes para ter audiências

Wallace Souza apresentou durante 10 anos o programa «Canal Livre», exibido na TV Rio Negro, no Brasil, que retratava vários crimes cometidos no Brasil.

A história de Wallace Souza, um ex-polícia e apresentador de um programa televisivo cujo tema era a criminalidade praticada numa região do Brasil, inspirou os criadores Dinah Lord e Eamonn Matthews a produzirem uma série documental para a Netflix, que já se encontra disponível na plataforma.

Em 1996, Wallace Souza estreava o seu novo programa, «Canal Livre», sobre criminalidade, exibido na TV Rio Negro. Souza era polícia, antes de entrar no mundo televisivo. No entanto, uma suspeita de desvio de gasolina ditaram a sua expulsão da corporação. Foi então que decidiu levar a área da criminalidade para a televisão com a criação do programa.

A partir de então, foi um fenómeno de audiência. Desde o fim da década de 1990 ao início dos anos 2000, a maioria das televisões de Manaus, situado na Região Norte do Brasil, estavam sintonizadas no programa de Souza. Neste, eram retratados crimes, cometidos na região, exibidos sem pudor, com imagens chocantes de cadáveres e corpos ensanguentados. A dor dos familiares era também um dos trunfos usados para ter audiências.

As primeiras emissões foram feitas com orçamentos muito reduzidos, mas ao tornar-se líder de audiências começou a atrair patrocinadores, que permitiram inovar a estrutura do programa.

Com o crescente sucesso do produto televisivo, Wallace Souza deixou de ser apenas um apresentador de televisão, para passar a ser considerado um herói por parte dos moradores da cidade. O apresentador era conhecido por se revoltar frequentemente com os crimes que retratava no programa. «Manaus não pode virar uma terra sem dono», dizia o apresentador com frequência.

A política foi uma das áreas em que Wallace Souza se envolveu. Conhecido do grande público, foi eleito deputado estadual três vezes com a maioria dos votos. Nas campanhas eleitorais, apelava à redução da criminalidade em Manaus.

Quando o «herói» é detido

Em 2008, o ex-militar Moacir Jorge, conhecido por Moa, foi preso com armas ilegais e cocaína e, em declarações às autoridades, denunciou a existência de uma organização criminosa chefiada por Wallace Souza e pelo filho mais velho do apresentador e deputado, Raphael Souza.

O rápido acesso às informações e a presença dos repórteres do programa nos locais dos crimes, por vezes antes da própria polícia, levantaram suspeitas. As investigações conduzidas pelas autoridades revelaram que a maioria dos crimes apresentados no programa teriam sido encomendados por Souza numa tentativa de aumentar as audiências.

Em 2009, Wallace Souza foi detido. Perante as acusações, o apresentador negou sempre. Afirmava estar a ser alvo de perseguição política, dada a sua popularidade e fama de herói na cidade.

Wallace Souza sofria de síndrome de Budd-Chari e, no dia 27 de julho de 2010, o apresentador morre vítima de uma paragem cardíaca. Com a morte do apresentador, os processos penais foram suspensos, mas as investigações contra os suspeitos de integrarem a rede de Souza continuou. O filho do apresentador acabou por ser condenado a nove anos de prisão por ter cometido um homicídio ordenado pelo pai. O corpo da vítima chegou a ser exibido no programa.

O caso ainda hoje divide opiniões e o realizador da série afirma que a produção aborda as duas versões da história de Wallace. «Na altura do caso, a família sentiu que a imprensa não deu oportunidade aos familiares de Souza para contarem o seu lado da história. Por isso, durante a série, o público é convidado a ouvir e ver os dois lados», diz Daniel Bogado.

 

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