Vítimas de Pedrógão Grande exigem saber posição da PGR sobre acórdão que absolveu arguidos

A Associação de Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande (AVIPG) divulgou hoje uma carta dirigida à Procuradora-Geral da República, através da qual pretende saber a posição do Ministério Público (MP) sobre o acórdão que absolveu os 11 arguidos num processo judicial.

Vítimas de Pedrógão Grande exigem saber posição da PGR sobre acórdão que absolveu arguidos

Vítimas de Pedrógão Grande exigem saber posição da PGR sobre acórdão que absolveu arguidos

A Associação de Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande (AVIPG) divulgou hoje uma carta dirigida à Procuradora-Geral da República, através da qual pretende saber a posição do Ministério Público (MP) sobre o acórdão que absolveu os 11 arguidos num processo judicial.

Os 11 arguidos do processo dos incêndios de Pedrógão Grande, que ocorreram em junho de 2017 e que provocaram 66 vítimas mortais, foram absolvidos pelo Tribunal Judicial de Leiria a 13 de setembro. O Tribunal considerou, no acórdão, que “não resultou provado que os óbitos e ofensas à integridade física verificados, tenham resultado, por ação ou omissão, da conduta de quaisquer dos arguidos”.

Na carta, enviada na segunda-feira a Lucília Gago e hoje disponibilizada à agência Lusa, a AVIPG pretende “indagar qual a posição” da PGR em relação ao acórdão do Tribunal de Leiria.

Sem nunca questionar diretamente se o Ministério Público vai recorrer da decisão, disse acreditar que “a Justiça ainda está por vir”, depois de ter auscultado os seus associados “e de muita reflexão”.

“Acreditamos que muitas mortes/fatalidades poderiam ter sido evitadas, caso todas as entidades tivessem cumprido o que a lei lhes obriga em termos de limpeza e gestão de combustíveis”, lê-se no texto assinado por Dina Duarte, presidente da AVIPG.

A Associação de Vítimas enfatizou, na carta, segundo “provas e testemunhos” de sobreviventes, que “onde havia limpeza [de terrenos] não houve mortes”.

Na sua opinião, esta situação comprova que o fenómeno meteorológico ocorrido aquando do incêndio de 17 de junho de 2017 “não destruiu tudo nem matou todos à sua passagem”.

“Este fenómeno não pode justificar, por si só, todas as mortes e feridos. Assumir que o estar limpo ou não [estar] teria o mesmo efeito, na nossa humilde opinião, está errado”, enfatizou a AVIPG.

Ainda segundo a associação, assumir que a morte das 66 pessoas “independentemente da limpeza, prevista na lei, ocorria de igual forma, é um exercício de mera adivinhação”, acusou.

“É ser conivente com o sistema do ‘deixa andar’, é deixar proliferar a impunidade dos que devem promover a defesa da população e do seu bem-estar”, adiantou a presidente da AVIPG.

Entre outros considerandos, a Associação de Vítimas alude à investigação do caso, questionando se o resultado não teria sido “mais justo e eficaz”, se cada linha de investigação “tivesse sido tratada de forma individual”.

“Teria a investigação do MP encontrado outros intervenientes com outros graus de responsabilidade?”, perguntou a AVIPG.

No texto, a Associação de Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande interroga-se se a decisão proferida pelo Tribunal de Leiria foi justa, frisando que “não há indemnização que pague a perda, a ausência, a dor, o sofrimento e o luto feito de saudade, que não deveria ser certamente de sentimento de impunidade”.

O incêndio que começou no dia 17 de junho de 2017 em Pedrógão Grande e que alastrou a vários concelhos vizinhos dos distritos de Leiria e Coimbra, provocou 66 mortos e mais de 250 feridos e destrui cerca de 500 casas e 50 empresas.

JLS // SSS

By Impala News / Lusa

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