UE/Presidência: CIP defende aposta na reindustrialização para garantir “melhor competitividade” da UE

A Confederação Empresarial de Portugal (CIP) quer que a União Europeia inicie “um novo caminho no processo de reindustrialização” assente na coesão dos 27 para competir com outros blocos económicos, como a Ásia e os Estados Unidos.

UE/Presidência: CIP defende aposta na reindustrialização para garantir

UE/Presidência: CIP defende aposta na reindustrialização para garantir “melhor competitividade” da UE

A Confederação Empresarial de Portugal (CIP) quer que a União Europeia inicie “um novo caminho no processo de reindustrialização” assente na coesão dos 27 para competir com outros blocos económicos, como a Ásia e os Estados Unidos.

O Presidente da CIP, António Saraiva, disse ver “com agrado” a iniciativa dos Dias da Indústria, um evento que se inicia terça-feira e que envolve diversos interlocutores de toda a Europa numa reflexão sobre o futuro da indústria no bloco comunitário.

Em declarações à Lusa, o responsável sublinhou que, com o surgimento da pandemia de covid-19, a União Europeia “acordou dolorosamente” para a “enorme dependência de determinadas cadeias globais de abastecimento”, sobretudo na Ásia, que “foi alimentando erradamente ao longo dos últimos anos”.

“Posso ver com bons olhos que finalmente os líderes europeus, acordados para essa realidade, embora de uma forma brutal como foi a pandemia, façam uma reflexão que caminha no sentido da reindustrialização da Europa. E Portugal, como Estado-membro [da UE], não pode deixar de acompanhar esse objetivo”, considerou.

Para que os 27 possam iniciar “um novo caminho nesse processo de industrialização”, é necessário que assumam “ações concretas, objetivas, com estratégias bem definidas”, apontou António Saraiva, salientando que a reindustrialização não se pode confundir com o retorno à indústria do passado.

“Reindustrializar não é fazer mais do que fazíamos. Reindustrializar é olhar para o mundo atual, ver os fatores de competitividade que temos hoje numa economia global, e melhorar cada país ‘per si’ esses mesmos fatores, apostando em setores estratégicos, incorporando a qualificação e a requalificação dos nossos recursos humanos, apostando nos setores tradicionais e modernizando-os à lógica da digitalização, e retomando o programa da Indústria 4.0”, argumentou.

O programa Indústria 4.0 procura responder aos desafios das tecnologias nos sistemas de produção e nos modelos de negócio, incorporando essas mesmas tecnologias na indústria, ao interligar as máquinas e os sistemas de produção e equipamentos para que as empresas possam criar redes inteligentes ao longo de toda a cadeia de valor e, assim, controlar os processos de produção de forma independente.

Face à “competitividade global, aos desafios climáticos e à transição digital e energética em que o mundo hoje está apostado”, o dirigente da CIP diz ser necessário “reposicionar Portugal” num quadro industrial assente numa melhoria e desenvolvimento dos setores tradicionais e numa aposta em novos setores e serviços, permitindo o seu desenvolvimento como um “país atrativo de investimento estrangeiro”, “melhorando a fiscalidade e reduzindo a burocracia”.

Portanto, “os setores tradicionais têm de ser modernizados, apostando na inovação, na requalificação e qualificação dos recursos humanos, promovendo fusões e concentrações empresariais” para que seja possível entrar nesta “batalha da internacionalização” da indústria, defendeu, acrescentando que este “plano estratégico deve ser acompanhado de um plano de ações” cuja discussão deve envolver os parceiros sociais e as empresas.

Para António Saraiva, é certo que a globalização trouxe desafios à indústria, mas defende que esta deve ser vista “como uma oportunidade” para “aprender com algumas práticas negativas que se cometeram no passado e que não se podem repetir”.

Neste sentido, o responsável apela a “uma estratégia de desenvolvimento comum da União Europeia” que permita uma “melhor competitividade com os outros blocos económicos” como a Ásia e os Estados Unidos.

Esta estratégia deve ter como base a “partilha de competências num bloco económico coeso e harmonioso, e não se digladiando entre si como uma hidra com 27 cabeças que procuram os seus interesses numa falta de coesão de esforços nesta e naquela área de desenvolvimento”, sustentou.

A 4.ª edição dos Dias da Indústria da UE realiza-se entre terça e sexta-feira e irá decorrer em formato virtual. Este evento promoverá um diálogo inclusivo sobre os desafios e as oportunidades que a indústria enfrenta tendo em conta a dupla transição, verde e digital e com as alterações do panorama competitivo global.

BYC// MDR

By Impala News / Lusa

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