Sofre aborto espontâneo e é condenada a 40 anos de prisão

O aborto, em El Salvador, é considerado ilegal desde 1998. A lei não distingue se a interrupção da gravidez é provocada ou involuntária e também abrange os casos em que o bebé morre no parto.

Sofre aborto espontâneo e é condenada a 40 anos de prisão

Sofre aborto espontâneo e é condenada a 40 anos de prisão

O aborto, em El Salvador, é considerado ilegal desde 1998. A lei não distingue se a interrupção da gravidez é provocada ou involuntária e também abrange os casos em que o bebé morre no parto.

María Teresa Rivera, de 37 anos, natural de El Salvador, sofreu um aborto espontâneo e foi condenada a 40 anos de prisão. O aborto sob qualquer instância é considerado ilegal naquele país e considerado homicídio. Em 2016, Rivera foi libertada e conseguiu asilo na Suécia. Agora, prepara-se para visitar Espanha para falar com a Amnistia Internacional sobre a violação dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres.

LEIA DEPOIS

Jornalista marroquina condenada por interrupção da gravidez ilegal e sexo fora do casamento

María não sabia que estava grávida até sofrer aborto espontâneo

A infância de María foi marcada pela perda da mãe, violações e agressões físicas e verbais. Ficou órfã de mãe aos cinco anos e foi viver com umas tias que a acolheram a si e ao seu irmão, na altura com dois anos.  «Éramos explorados. Tínhamos que ir vender legumes ao mercado para levar dinheiro», conta ao El País. À noite frequentava a escola e, um dia, durante o caminho, foi violada por uns vizinhos.

Aos 22 anos, engravidou do namorado. «Tudo estava bem ao principio. Mas depois começaram os maus tratos psicológicos e verbais, as agressões.» Permitiu a violência até aos quatro meses do bebé. Depois, foi viver com a sogra.

A 24 de novembro de 2011, acordou com uma dor muito forte. Foi à casa de banho e começou a sangrar. A partir daí, não se lembra de mais nada. «Não sabia que estava grávida até àquela madrugada. Desmaiei e quando acordei no hospital estava algemada. Polícias e médicos diziam-me que era uma assassina, que tinha matado o meu filho», explica.

Mulher foi condenada a 40 anos de prisão

Esteve presa preventivamente durante cinco dias até ser presente em tribunal. Estava acusada de matar o filho. Depois de vários contactos com organizações para lhe despenalizarem a pena, María saiu em liberdade em 2016 e pediu asilo na Suécia. «Muitos perguntam-me porque apoio o aborto. ‘Porque sou mulher e somos donas do nosso corpo’, respondo. Mas El Salvador é uma sociedade hipócrita. Discrimina-te por seres mulher.»

O aborto, em El Salvador, é considerado ilegal desde 1998. A lei não distingue se a interrupção da gravidez é provocada ou involuntária e também abrange os casos em que o bebé morre no parto. As penas podem ir 30 aos 50 anos de prisão.

Texto: Jéssica dos Santos

LEIA MAIS

Mulher encontrada morta em cabeleireiro vítima de assalto violento

Impala Instagram


RELACIONADOS