Após 40 anos de SNS, os serviços de urgência melhoraram? Especialista responde

Nos primeiros anos do SNS (anos 70), «tivemos talvez o melhor modelo de serviço de urgência», revela a especialista.

Após 40 anos de SNS, os serviços de urgência melhoraram? Especialista responde

Após 40 anos de SNS, os serviços de urgência melhoraram? Especialista responde

Nos primeiros anos do SNS (anos 70), «tivemos talvez o melhor modelo de serviço de urgência», revela a especialista.

As alterações dos serviços de urgência no Serviço Nacional de Saúde (SNS) ao longo destes 40 anos têm sido «evidentes», afirma Maria da Luz Brazão, internista e coordenadora do NEUrgMI, da Sociedade Portuguesa da Medicina Interna (SPMI), a propósito do 5º Congresso Nacional de Urgência da SPMI, que decorre em Portimão, com o tema (Re)Pensar a urgência.

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Alterações dos serviços de urgência no SNS

Nos anos 60, as urgências eram chefiadas por cirurgiões, uma vez que nessa altura eram, na sua maioria, de índole traumática ou emergências cirúrgicas.

Nos anos 70, «tivemos o melhor serviço de urgência»

Nos primeiros anos do SNS (anos 70), «tivemos talvez o melhor modelo de serviço de urgência», revela a especialista. «Liderava quem tinha o perfil ideal independente da especialidade, cada um exercia a competência na sua especialidade e o chefe de equipa geria conflitos e, se necessário, exercia a autoridade.» No entanto, esta realidade alterou-se quando os especialistas deixaram as urgências a troco de qualquer prevenção da sua especialidade, paga a preço igual ou superior e com metade da carga horária.

Crise de 2008 afeta urgências

A crise que Portugal atravessou em 2008 afetou os serviços de urgências que carecia de um défice grave de pessoal, com encerramento de urgências por todo o país. «Isto foi o início do caos nas urgências que se manteve até aos dias de hoje», refere Maria da Luz Brazão. «Fecharam os serviços de atendimento permanente por todo o país e abriram urgências básicas que nada resolveram.»

Especialista frisa que é importante «repensar a urgência»

A especialista frisa que é importante «repensar a urgência». «Os internistas têm características ideais para o trabalho na urgência, mas necessitam de quadros adequados à procura, menor carga de trabalho no serviço de urgência, menos horas, menos doentes, menos horas extraordinárias, diversidade que satisfaça a formação multidisciplinar e reconhecimento na tarefa.»

O que é necessário fazer para reduzir a afluência ao serviço de urgência

Maria da Luz Brazão considera «fundamental reduzir a afluência ao serviço de urgência». Para isso, defende que é necessário «reabrir os serviços de atendimento permanente (com nome e horário a estudar), apostar no esclarecimento do doente que se deve tornar o gestor da sua saúde/doença, desviar os azuis e verdes para fora do serviço de urgência e criar novas portas de acesso ao hospital que não o serviço de urgência». «Necessitamos urgentemente de mais internistas. Não é mais aceitável haver doentes em maca num hospital com camas vagas.»

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