Seis mil famílias afetadas por conflito em Moçambique recebem assistência alimentar

Seis mil famílias afetadas por conflito em Moçambique recebem assistência alimentar

Cerca de seis mil famílias do distrito de Gorongosa, centro de Moçambique, afetadas pela fome devido à crise política e militar entre o Governo e a Renamo, principal partido de oposição, começaram a receber assistência alimentar.

Gorongosa, Moçambique, 13 jan (Lusa) – Cerca de seis mil famílias do distrito de Gorongosa, centro de Moçambique, afetadas pela fome devido à crise política e militar entre o Governo e a Renamo, principal partido de oposição, começaram a receber assistência alimentar.


Falando durante a cerimónia de entrega dos donativos, a governadora da província de Sofala, Maria Helena Taipo, disse que, no âmbito da distribuição dos donativos, as autoridades províncias vão dar prioridade a idosos, deficientes e crianças, num apoio que prevê que cada família receba, até março, 50 quilos de milho, 25 de arroz e seis de feijão.


“A palavra fome tem de ser deixada para história”, declarou Helena Taipo, incentivando as populações a não dependerem de donativos e a aproveitarem o período chuvoso para apostarem na agricultura.


“Vocês, dentro de alguns meses, devem começar a autossustentar-se”, afirmou a governadora, que entende que a suspensão das hostilidades militares entre as Forças de Defesa e Segurança e o braço armado de oposição abre espaço para que as famílias do distrito produzam mais.


O centro do país tem sido assolado por conflitos militares entre as Forças Defesa e Segurança e o braço armado da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), que reivindica vitória nas eleições gerais de 2014, acusando a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), no poder há mais de 40 anos, de fraude no escrutínio.


Em finais de dezembro, após conversas telefónicas com o Presidente moçambicano, o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, declarou uma trégua de uma semana como “gesto de boa vontade”, tendo, posteriormente, prolongando o seu prazo para 60 dias.


Os trabalhos da comissão mista das delegações do Governo e da Renamo constituída para preparar o encontro entre os líderes das duas partes pararam em meados de dezembro sem acordo sobre o pacote de descentralização, um dos temas essenciais das negociações de paz.


Na altura, o coordenador da equipa de mediação, Mario Raffaeli, indicado pela UE, disse que os mediadores só regressarão a Maputo se forem convocados pelas partes.


O Presidente moçambicano e o líder da Renamo acordaram a criação de um grupo de trabalho especializado para discutir o pacote de descentralização.


A permanência da mediação internacional é exigida por Afonso Dhlakama no grupo da comissão mista, que vai tratar dos outros assuntos da agenda das negociações de paz.


Além do pacote de descentralização e da cessação dos confrontos, a agenda do processo negocial integra a despartidarização das Forças de Defesa e Segurança e o desarmamento do braço armado da oposição, bem como sua reintegração na vida civil.



EYAC // EL


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