Rick de ‘The Walking Dead’ internado em Portugal? O poder das ‘fake news’

Um pedido de ajuda no Facebook despertou a atenção dos mais atentos. Foi divulgada uma imagem do personagem ‘Rick’ de ‘The Walking Dead’ como se se tratasse de um paciente internado no Hospital Beatriz Ângelo.

Rick de 'The Walking Dead' internado em Portugal? O poder das 'fake news'

Rick de ‘The Walking Dead’ internado em Portugal? O poder das ‘fake news’

Um pedido de ajuda no Facebook despertou a atenção dos mais atentos. Foi divulgada uma imagem do personagem ‘Rick’ de ‘The Walking Dead’ como se se tratasse de um paciente internado no Hospital Beatriz Ângelo.

«Este homem deu entrada hoje no Hospital Beatriz Ângelo em Guimarães sem qualquer tipo de identificação e com aparente perda de memória. Partilhem para que possamos encontrar a família», lê-se na publicação partilhada pelo utilizador Nuno Folgado, na sua página pessoal, no Facebook, este sábado, dia 9 de fevereiro. Acompanhado com uma imagem do paciente, o pedido de ajuda conta com 27 mil partilhas.

No entanto, a pessoa que se vê na imagem é o ator Andrew Lincoln, que interpreta ‘Rick’ na série ‘The Walking Dead’. A localização do hospital também se encontra errada, uma vez que o Hospital Beatriz Ângelo é em Loures, e não Guimarães, como referido na publicação.

Este pedido de ajuda despertou a atenção dos mais atentos que depressa se aperceberam que se tratava de uma informação falsa. No entanto, nos mais de 1000 comentários, há pessoas que estão a levar esta publicação como verdadeira.

A FOX, canal que transmite a série ‘The Walking Dead’, já se manifestou em relação à publicação. Na página de Facebook do canal é possível ver um ‘post’ que, de forma irónica, faz referência ao suposto internamento de Rick.

«Queres ver que afinal o helicóptero levou o Rick para Guimarães…? Obrigado pela dica, @nuno.folgado.9!», lê-se na descrição.

Eleições portuguesas afetadas por ‘fake news’ a partir das redes sociais

Em declarações à Lusa, o investigador brasileiro, Sérgio Denicoli, que lidera uma agência de análise de dados e de tendências a partir das redes sociais afirma que «o fenómeno já está em Portugal».

«Vejo todos os dias formação de novos grupos no Facebook e outras plataformas com opiniões muito extremas, grupos com opiniões que tentam desconstruir temas consolidados.»

O analista acredita que «quando as eleições começarem, as ‘fake news’ vão subir de uma forma muito forte, porque a rede já está armadilhada». Exemplo disso é a vitória de Jair Bolsonaro, na corrida presidencial, que foi influenciada pela rede WhatsApp.

«Desde que há eleições, há notícias falsas que circulam, mas não com esta escala. Como o que aconteceu no Brasil, a ponto de influenciar realmente o resultado das eleições», explicou o investigador.

Em Portugal, «é um fenómeno que começa a corroer os subterrâneos das redes e não vai demorar muito para subir à tona».

No caso português, há uma «população envelhecida» menos expostas às novas tecnologias da informação e o «agendamento da sociedade passa mais pelos jornais e televisões», os ‘media’ tradicionais. Por outro lado, o índice de abstenção é muito grande e os jovens são os que menos votam.

Este tipo de estímulos das redes sociais destina-se sobretudo aos jovens, alertou Sérgio Denicoli, admitindo que pode ser mais fácil em Portugal um voto de protesto dos eleitores jovens, o que pode alterar a distribuição tradicional dos votos.

Os promotores de desinformação «sabem que os jovens são alvos preferenciais e estão trabalhando isso», avisou.

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