Retiradas 400 mil pessoas na RDCongo após a erupção do vulcão Nyiragongo

As autoridades da República Democrática do Congo ordenaram a retirada de 400.000 pessoas em dez distritos da cidade de Goma, por risco de nova erupção do vulcão Nyiragongo.

Retiradas 400 mil pessoas na RDCongo após a erupção do vulcão Nyiragongo

Retiradas 400 mil pessoas na RDCongo após a erupção do vulcão Nyiragongo

As autoridades da República Democrática do Congo ordenaram a retirada de 400.000 pessoas em dez distritos da cidade de Goma, por risco de nova erupção do vulcão Nyiragongo.

Genebra, 28 mai 2021 (Lusa) – As autoridades da República Democrática do Congo (RDCongo) ordenaram a retirada de 400.000 pessoas em dez distritos da cidade de Goma, por risco de nova erupção do vulcão Nyiragongo, informou hoje o Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA).

Segundo o Observatório Vulcanológico de Goma, os fortes tremores que continuaram na quinta-feira, um deles medindo 4,9 na escala de Richter, poderiam causar mais lava e escapar por fendas na montanha.

A primeira erupção de lava, pó e gás, em 22 de maio, matou 30 pessoas, destruiu casas, escolas e instalações de saúde, cortou estradas e causou danos nos sistemas de abastecimento de água e eletricidade.

“Até agora, a atenção humanitária tem-se concentrado nas pessoas diretamente afetadas pela erupção vulcânica e nos bairros de Goma sem acesso à água, mas com o deslocamento maciço de pessoas, o foco operacional está a expandir-se”, disse o porta-voz da OCHA, Jens Laerke, numa conferência de imprensa hoje, em Genebra.

Seguindo a ordem de evacuação das autoridades, milhares de pessoas tentaram fugir ao longo das principais estradas de Goma, principalmente a pé, mas também de carro, causando engarrafamentos de trânsito à medida que os fortes tremores continuavam. Outras saíram de barco.

“Desde ontem [quinta-feira] à noite, 400 pessoas chegaram ao Ruanda, vindas da República Democrática do Congo devido à atividade vulcânica, mas esperamos que cheguem mais”, acrescentou o porta-voz da Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), Babar Baloch, que expressou a sua gratidão por o Ruanda manter as fronteiras abertas, face a estas circunstâncias.

As necessidades na província congolesa do Kivu Norte, da qual Goma é a capital, já eram grandes, dado que é uma região que acolhe 44% dos cinco milhões de deslocados internos do país e onde 33% das pessoas sofrem de grave insegurança alimentar.

Pelo menos 32 pessoas morreram no último sábado, incluindo duas dezenas em consequência de gases libertados após a erupção do vulcão Nyiragongo, e entre 900 e 2.500 casas foram destruídas pelos fluxos de lava, segundo organizações humanitárias.

Localizada na província de Kivu do Norte, que também faz fronteira com o Uganda, a região de Goma é uma zona de intensa atividade vulcânica localizada no vale do Rift, com seis vulcões, incluindo os vizinhos Nyiragongo e Nyamuragira, que se elevam a 3.470 e 3.058 metros, respetivamente.

A anterior erupção do Nyiragongo, em 2002, levou milhares a abandonarem as suas casas e provocou centenas de mortos.

Goma alberga um grande contingente de soldados da paz e muitos membros da missão das Nações Unidas na RDCongo, sendo também base de muitas organizações não-governamentais e outras organizações internacionais.

ATR // JH

By Impala News / Lusa

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