Reclusos juntam 26 mil euros para pagar propinas a estudante

Durante os últimos sete anos, alunos da escola Palma, em Salinas, Califórnia, participaram num ‘clube do livro’ num lugar pouco comum: a Prisão Estadual de Soledad.

Reclusos juntam 26 mil euros para pagar propinas a estudante

Reclusos juntam 26 mil euros para pagar propinas a estudante

Durante os últimos sete anos, alunos da escola Palma, em Salinas, Califórnia, participaram num ‘clube do livro’ num lugar pouco comum: a Prisão Estadual de Soledad.

Tudo começou em 2014 quando Jim Micheletti, professor de Inglês e de Teologia, e Mia Mirassou, professor assistente, se juntaram e fundaram um ‘clube do livro‘, apelidado de “Exercícios na Empatia” e que seria realizado na Prisão Estadual de Soledad, na Califórnia. O objetivo do projeto passa por os estudantes terem uma perspetiva diferente sobre os presidiários.

No programa, estudantes, professores e membros da própria comunidade comunidade reunem-se regularmente na prisão para falar de livros com os reclusos. Mais do que uma troca de ideias, esta foi encarada como uma oportunidade de mudar estigmas pré-concebidos em relação aos presidiários. 

“Eles entram a pensar que vão encarar um ‘monstro‘ e quando saem percebem que estiveram com um ‘homem, um ser humano‘. Eles erraram, mas aqui não há pessoas descartáveis”, garante Micheletti.

Em 2016, o livro “Milagre no rio Kwai” de Ernest Gordon, foi o livro escolhido para uma das sessões do clube. A história narra a mudança de mentalidade de um grupo de prisioneiros de guerra. Inicialmente era cada um por si, mas mais tarde perceberam que a “união faz a força“, deixando de parte os individualismos e passando a operar com base na solidariedade e entreajuda. 

Jason Bryant, a cumprir uma pena de 26 anos por assalto com arma, inspirou-se nesta obra e colocou ‘mãos à obra’. Juntamente com o companheiro de cela, Ted Gray, decidiram seguir à letra uma das passagens do livro: “Um pequeno grupo de homens tomou uma decisão diferente, e decidiram cuidar uns dos outros”.

Foi com base nessa máxima que os dois decidiram criar uma bolsa académica para entregar a um aluno da escola Palma, na Califórnia. Juntamente com mais 800 reclusos, começaram a trabalhar arduamente – com salários mensais entre os 80 e os 100 euros – e conseguiram arrecadar mais de 26 mil euros para pagar os estudos a um estudante carenciado. Tal como dá conta o Washington Post, Sy Newson Green foi o estudante eleito, sendo que a decisão teve em conta a situação médica dos pais, que haviam acabado de perder o emprego devido a problemas de saúde.

Hoje em dia, o rapaz concluiu os estudos com distinção e frequenta a Academia das Artes, em São Francisco. Já Jason Bryant, após intervenção do Governador da Califórnia, Gavin Newsom, saiu em liberdade após cumprir 20 dos 26 anos da pena. Atualmente exerce o cargo de Diretor de Programas Restaurativos da CROP, uma organização sem fins lucrativos que se concentra na redução da taxa de reincidência criminosa, utilizando para isso ferramentas como o desenvolvimento pessoal e profissional.

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