Rebeldes negam desvio de ajuda humanitária no Iémen

Rebeldes negam desvio de ajuda humanitária no Iémen

Os rebeldes do Iémen negaram o desvio de uma parte da ajuda humanitária destinada a civis e acusam o Programa Alimentar Mundial (PAM) das Nações Unidas de distribuir “alimentos estragados”.

Na segunda-feira, o PAM afirmou que uma grande parte da ajuda humanitária nunca chegou aos destinatários finais, os habitantes de Sana, a capital iemenita.

Segundo o programa das Nações Unidas, os alimentos enviados foram postos à venda nos mercados, depois de terem sido desviados por uma organização controlada pelos rebeldes, responsável pela distribuição dos alimentos do PAM.

Outros casos de desvio foram revelados noutras regiões controladas pelos huthis, acrescentou o PAM, ameaçando suspender a colaboração com os rebeldes, se estes não acabarem com os “comportamentos criminosos”.

Muhamad Ali al-Huthi, presidente do designado “alto comité da revolução”, reagiu exigindo ao PAM que prove as acusações e acusando o programa de ser responsável por distribuir “alimentos estragados”.

De acordo com a agência Associated Press, o PAM garante ter provas fotográficas de camiões de rebeldes a serem carregados com alimentos e de rebeldes a desviarem remessas de alimentos.

Citado pela agência de notícias dos rebeldes Saba, a fonte adiantou que as autoridades huthis não autorizaram a entrada da ajuda alimentar porque “viola os critérios e regulamentos e não está própria para consumo”.

As autoridades rebeldes frisaram, porém, que apoiam a instauração de um inquérito independente, acusando as Nações Unidas de “parcialidade” e “politização”.

O conflito no Iémen, que opõe o poder, apoiado militarmente pela Arábia Saudita, e a forças rebeldes huthis, apoiados pelo Irão e que controlam vastas regiões do país, incluindo a capital, causou 16 mil mortos desde 2015 e provocou a pior crise humanitária do mundo, com 20 milhões de pessoas em “situação de insegurança alimentar”.

As Nações Unidas estão a prestar ajuda a oito milhões de pessoas no Iémen, mas querem aumentar para 12 milhões, e já defenderam uma “revisão geral do sistema de socorro”, incluindo do registo biométrico.

SBR (JRS) // MAG

By Impala News / Lusa

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