Proteção Civil confirma que helicópteros não usam retardantes

Proteção Civil confirma que helicópteros não usam retardantes

ANPC admite que os helicópteros de combate aos incêndios não utilizam produtos químicos para retardar o fogo, e explica que isso reduziria “a capacidade de transporte de elementos operacionais”.

A Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) admitiu hoje que os 40 helicópteros de combate aos incêndios não utilizam produtos químicos para retardar o fogo, explicando que isso reduziria “a capacidade de transporte de elementos operacionais”.

Em declarações à Lusa na terça-feira, o especialista em incêndios florestais Xavier Viegas defendeu a utilização de produtos químicos no combate ao incêndio de Monchique para evitar reacendimentos, lembrando que os reacendimentos “estão identificados como um dos grandes problemas, que depois dão origem a incêndios ainda piores”.

Também os bombeiros criticaram que não se estivesse a utilizar essa ferramenta e hoje a ANPC explicou, em comunicado, que os 40 helicópteros de ataque inicial “não usam espumífero por ficar reduzida a sua capacidade de transporte de elementos operacionais a bordo”.

A ANPC acrescenta ainda que “nos contratos celebrados para o período de 2013-2017 não foi prevista, igualmente, a utilização destes produtos”, confirmando a manchete de hoje do Jornal de Notícias.

LEIA MAIS: Robert perdeu a casa no fogo de Monchique mas conseguiu salvar os burros. Agora pede ajuda

Além dos helicópteros, o Estado contratou também aviões anfíbios — médios e pesados — que “utilizam espumífero certificado nas missões que realizam a partir da sua base de origem”, sublinha a ANPC.

No entanto, os especialistas dizem que os produtos químicos não estão a ser usados no incêndio que começou na sexta-feira em Monchique e continua ativo.

Questionado pela Lusa sobre o caso concreto de Monchique, o gabinete de comunicação da ANPC não deu resposta.

No comunicado enviado para as redações, a ANPC diz apenas que “o espumífero faz parte das obrigações contratuais, sendo fornecido pelas empresas contratadas que operam estes aviões”.

Segundo a ANPC, em cada descolagem, um avião médio Fireboss carrega 70 litros de espumífero, que dá em média para 15 descargas, e cada avião pesado Canadair carrega cerca de 300 litros que dá aproximadamente 12 descargas.

Em Monchique estão cinco helicópteros e oito aviões, segundo a página da ANPC.

Em declarações à Lusa na terça-feira, Xavier Viegas apontou o custo dos produtos químicos como a única razão para não estarem a ser utilizados: “Custa algum dinheiro, mas é largamente compensado com a economia que se pode ter com a redução das horas de combate, em especial nas horas dos meios aéreos”, sublinhou, lembrando ainda os efeitos nefastos de um terreno ardido.

O especialista sublinhou ainda que “os produtos químicos certificados têm um impacto ambiental mínimo e uma eficácia enorme”.

O incêndio que deflagrou na sexta-feira em Monchique, no distrito de Faro, já destruiu mais de 21 mil hectares, metade da área ardida na região em 2003.

Admitindo que tem acompanhado à distância o combate ao fogo, Xavier Viegas lamentou, em declarações à Lusa, que o plano de prevenção, desenhado há mais de uma década, tenha ficado por acabar, referindo-se a um projeto de 2006 que desenhou uma rede primária de faixas de contenção.

O incêndio, que já lavra também nos concelhos vizinhos de Portimão e Silves, já provocou 32 feridos, um dos quais em estado grave (uma idosa internada em Lisboa), e 181 pessoas mantêm-se deslocadas, depois da evacuação de várias localidades.

 

 

Siga a Impala no Instagram

Impala Instagram


RELACIONADOS

Proteção Civil confirma que helicópteros não usam retardantes

ANPC admite que os helicópteros de combate aos incêndios não utilizam produtos químicos para retardar o fogo, e explica que isso reduziria “a capacidade de transporte de elementos operacionais”.