Procurador brasileiro afastado após dizer que escravidão ocorreu porque “índio não gosta de trabalhar”

Um procurador do Ministério Público do Pará, Brasil, foi afastado do cargo na quinta-feira, após ter dito a alunos universitários que a escravidão no Brasil aconteceu porque “o índio não gosta de trabalhar”, segundo a imprensa local.

Procurador brasileiro afastado após dizer que escravidão ocorreu porque

Procurador brasileiro afastado após dizer que escravidão ocorreu porque “índio não gosta de trabalhar”

Um procurador do Ministério Público do Pará, Brasil, foi afastado do cargo na quinta-feira, após ter dito a alunos universitários que a escravidão no Brasil aconteceu porque “o índio não gosta de trabalhar”, segundo a imprensa local.

“O problema da escravidão aqui no Brasil foi porque o índio não gosta de trabalhar. Até hoje. (…) O índio preferia morrer do que cavar minas, do que plantar para os portugueses. E foi por causa disso que eles [colonizadores portugueses] foram buscar pessoas às tribos de África para substituir a mão de obra do índio, aqui no Brasil”, afirmou o procurador, citado pelo jornal Folha de S.Paulo.

As declarações do procurador foram feitas na terça-feira, numa apresentação a alunos de uma universidade do Pará que visitavam a sede do Ministério Público do Pará (MPPA).

Na sua página da internet, o MPPA anunciou a instauração de um processo administrativo para apurar a conduta do procurador em causa, Ricardo Albuquerque, tendo informado ainda do seu afastamento.

Ricardo Albuquerque, que desempenha também o cargo de ouvidor-geral (recebe e encaminha denúncias), ficará longe das suas funções até à conclusão da investigação instaurada pela Corregedoria do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

“A resposta do MP foi rápida e imediata, pois no dia seguinte ao facto foi instaurado o procedimento administrativo disciplinar pelo CNMP e na quinta-feira ocorreu a abertura do processo administrativo e a homologação do afastamento pelo Colégio de Procuradores. Vamos zelar para que também a resposta definitiva venha o mais rápido possível”, disse o procurador-geral de Justiça, Gilberto Valente Martins.

Na manhã desta quinta-feira, os representantes de movimentos sociais, formados por quilombolas [descendentes de negros que fugiram da escravidão] e indígenas deram entrada no protocolo geral do Ministério Público com a comunicação de uma infração penal contra o procurador de Justiça Ricardo Albuquerque.

Num comunicado ao qual a Folha de S. Paulo teve acesso, o procurador afirmou que as suas polémicas declarações foram divulgadas fora do contexto.

MYMM // JMC

By Impala News / Lusa

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